Guiné-Bissau vulnerável à instalação de traficantes - Organização Controlo Estupefacientes

Paris, 05 Mar (Lusa) - A Guiné-Bissau é um país abandonado e vulnerável à instalação de traficantes de droga, declarou em Paris o secretário-geral da Organização Internacional de Controlo de Estupefacientes (OICS).

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Koli Kouamé, que falava, na terça-feira, no lançamento do relatório anual da OICS, referiu-se à "rápida instalação de organizações criminosas ligadas à droga na Guiné-Bissau".

"Não se trata de indexar o país, mas de atrair a atenção das suas autoridades e da comunidade internacional sobre a situação em que se encontra", sublinhou Kouamé, citado pela Panapress.

"O Presidente (guineense, João Bernardo "Nino") Vieira interrogava-se, durante um encontro, porque se fala tanto do seu país. Respondi-lhe que o país está abandonado e tem uma corrupção generalizada. Os traficantes de droga procuram sempre países onde há baixos custos económicos", afirmou Kouamé.

O secretário-geral da OICS preconizou uma abordagem regional na África Ocidental para lutar eficazmente contra o flagelo e defendeu a instauração de um dispositivo sub-regional de cooperação entre os serviços envolvidos nesta luta.

Num outro relatório, este elaborado anualmente pela Junta Internacional de Fiscalização de Estupefacientes (JIFE), com sede em Viena, Áustria, refere-se que 25 por cento do total das 200 a 300 toneladas de cocaína consumidas na Europa chegam ao Velho Continente via África Ocidental, nomeadamente através da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, entre outros países.

Segundo a Agência Brasil, o território brasileiro é igualmente citado como parte integrante da "nova rota do tráfico mundial de drogas" que sai da América do Sul.

Segundo o documento, divulgado pelo Escritório da Organização das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (UNODC), cerca de 60 por cento da cocaína que chega à Guiné-Bissau passa pelo Brasil e 40 por cento vem directamente da Colômbia.

As apreensões de droga na África Ocidental passaram de 33 toneladas em 2005, para 40 toneladas em 2007, um aumento de mais de 20 por cento, refere-se no relatório.

O facto, segundo o representante do UNODC para o Brasil, Giovanni Quaglia, tem a ver com as relações estreitas existentes entre o Brasil e África.

"Por várias razões, tanto comerciais como culturais, o Brasil tem muito intercâmbio com os países de África. Conseguiram-se, assim, apreensões de droga sobretudo na Guiné-Bissau e Cabo Verde oriunda do Brasil", sublinhou.

Entre as recomendações contidas no documento, a JIFE sustenta ser necessário fortalecer a cooperação das autoridades brasileiras com os organismos policiais dos países da África para a investigação e julgamento de todos os envolvidos.

Dados do UNODC mostram que há no mundo 14,3 milhões de consumidores de cocaína.

Em 2006, de toda a plantação mundial de coca, 50 por cento era originária da Colômbia, 33 por cento do Peru e 17 por cento da Bolívia, três países com os quais o Brasil tem fronteira.

Em Dezembro último, o problema da droga na Guiné-Bissau, várias vezes referenciado nos últimos anos por organizações mundiais, foi analisado numa conferência internacional em Portugal, em que foram estabelecidos objectivos e meios financeiros para combater o narcotráfico.

Na ocasião, foram conseguidos 4,6 milhões de euros para financiar a primeira fase do plano de combate ao narcotráfico, elaborado conjuntamente pelo governo guineense e pelo UNODC.


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