"Gustavo" de partida, segue-se o "Hanna"

O “Gustavo”, que atingiu o sul dos EUA na segunda-feira, após ter vitimido 96 pessoas nas Caraíbas, enfraqueceu e perdeu a qualificação de furacão passando para o nível de tempestade tropical. Na próxima-sexta feira é a vez do "Hanna" atingir a Carolina do Sul e a Geórgia.

RTP /
Furacão Gustavo RTP

O Centro Nacional de Furacões (NHC), sedeado em Miami, na Florida, informava que às 03h00 GMT o centro do "Gustavo" se encontrava a cerca de 30 quilómetros no sudoeste de Alexandria, no noroeste da Louisiana.

Com ventos a soprar a 95 km/h, perdeu força tendo sido sucessivamente despromovido a tempestade tropical e finalmente a depressão tropical esta terça-feira.

O "Gustavo" segue em direcção ao noroeste a uma velocidade de 20 quilómetros por hora devendo chegar ao Texas esta terça-feira e ao Oklahoma na tarde da próxima quarta-feira.

O velho ditado de “um mal nunca vem só” pode ver aqui nos Estados Unidos uma aplicação prática já que o território poderá ser atingido por um segundo furacão, desta feita o “Hanna” que deverá fazer-se sentir na costa Este dos Estados Unidos, na Carolina do Sul e na Geórgia, na próxima sexta-feira.

Outra tempestade a formar-se no Atlântico

A nona tempestade tropical já se formou na segunda-feira. É o “Ike”, teve a sua origem no oceano Atlântico e poder-se-á transformar em furacão “dentro de um ou dois dias” de acordo com o NHC.

Nova Orleães poupada

A passagem do furacão “Gustavo” por Nova Orleães poupou a cidade que desta vez não teve de lamentar nenhum morto, de acordo com o porta-voz das operações de socorro, Heather Hilliard.

“É um dia melhor” que há três anos, declarou à CNN também o secretário norte-americano da Segurança Interna. Michael Chertoff aproveitou a ocasião para salientar a importância da evacuação ordenada pelas autoridades estaduais antes da chegada do Furacão.

“Penso que colocar um grande número de pessoas fora de perigo foi um primeiro passo decisivo”, afirmou o secretário norte-americano que considerou no entanto ser ainda cedo para fazer um “julgamento decisivo”.

Ao contrário do que aconteceu há três anos com o Furacão “Katrina”, os diques não abriram nenhuma brecha e estes encontram-se em perfeito estado de conservação de acordo com as autoridades de Nova Orleães.

O Mayor, Ray Nagin, mostrou-se optimista na tarde de segunda-feira. “A situação não está ainda completamente resolvida mas dir-se-á que não estaremos longe”, declarou à comunicação social.

“Esperamos uma eventual última subida dos níveis da água no final da tarde desta segunda-feira”, afirmava o líder da cidade.

Diques aguentaram

Há três anos atrás, aquando da passagem do furacão Katrina, a ruptura dos diques provocou a inundação de 80% do território da cidade de Nova Orleães. 1.800 pessoas morreram na altura no Louisiana e nos Estados vizinhos.

David Paulison, director da agência federal de gestão das situações de urgência (FEMA), assegurou que “os diques são muito mais sólidos (…) e bem mais altos que durante o Katrina”.

O director da FEMA alertou no entanto para o facto de que “continuam a existir pontos fracos no sistema de diques”.

Mortos a lamentar

Se directamente o "Gustavo" não fez mortos em Nova Orleães, poderá ter estado na origem de sete óbitos.

A evacuação preventiva ordenada pelas autoridades estaduais obrigou um milhão e novecentas mil pessoas a abandonarem os seus lares e a abandonarem a cidade que se transformou como que numa cidade-fantasma.

A operação de retirada dos habitantes de Nova Orleães abrangeu para além das habitações, as escolas, os organismos públicos bem como os hospitais.

Foi precisamente durante a evacuação dos hospitais de Nova Orleães que quatro doentes em estado grave internados não resistiram aos esforços da evacuação acabando por sucumbir.

Outras três pessoas terão sido vítimas de acidentes durante as operações de evacuação.
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