Guterres admite que há 10 anos não imaginava mundo tão ameaçador e confirma regresso a Portugal

Guterres admite que há 10 anos não imaginava mundo tão ameaçador e confirma regresso a Portugal

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reconheceu hoje que, há 10 anos, não imaginaria que deixaria o cargo com um mundo tão deteriorado em matéria de paz, desigualdades e riscos existenciais, confirmando ainda que regressará a Portugal.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Eduardo Munoz - Reuters

Em resposta à agência Lusa, Guterres refletiu sobre o estado do mundo nas vésperas da sua última Semana de Alto Nível da Assembleia-Geral das Nações Unidas, a cerca de três meses de deixar a liderança da organização.

"Eu penso que há 10 anos ninguém poderia prever que nós chegássemos a uma situação tão deteriorada em relação a paz e segurança, com um nível de desigualdades tão dramático como aquele que encontramos e com duas situações que correspondem a riscos existenciais: no clima e na inteligência artificial", disse Guterres, numa conferência de imprensa em Nova Iorque.

"Seria difícil imaginar um quadro tão ameaçador como aquele que nós enfrentamos neste momento", acrescentou.

António Guterres deixará o cargo de secretário-geral da ONU no final de dezembro, após completar dois mandatos consecutivos de cinco anos na liderança da organização.

Os últimos meses de Guterres no cargo decorrem num contexto mundial complexo, marcado por tensões geopolíticas e conflitos crescentes, pressão sobre o financiamento do desenvolvimento e da própria organização, rápidas mudanças tecnológicas e o aquecimento global, fatores que continuam a testar o sistema internacional.

O antigo primeiro-ministro português ainda não tem um sucessor definido, mas são oito os candidatos: a antiga presidente chilena Michelle Bachelet, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan, o ex-presidente senegalês Macky Sall, a antiga ministra dos Negócios Estrangeiros do Equador María Espinosa Garcés, a diplomata da Guiana Carolyn Rodrigues Birkett, o diplomata ugandês Olara Otunnu e a diplomata equatoriana Ivonne A-Baki.

Seguindo uma tradição geográfica nem sempre respeitada, a América Latina disputa a posição desta vez, o que explica o facto de a maioria dos candidatos ser deste continente.

Muitos países também defendem que uma mulher deve ocupar o cargo pela primeira vez nos 80 anos de história da ONU.

Questionado pela Lusa sobre se o seu futuro passará por Portugal, Guterres respondeu afirmativamente, embora garantindo não ter ainda planos reservados para a vida profissional.

"Em relação ao meu futuro profissional, não faço a mínima ideia. Em relação ao meu futuro, onde é que vou viver, vou viver com certeza em Portugal", afirmou.

A Semana de Alto Nível da 81.ª Assembleia-Geral da ONU arranca na sexta-feira em Nova Iorque, naquela que será a última sessão que António Guterres irá marcar presença enquanto secretário-geral da organização.

Durante aquela que é considerada a semana mais importante do ano no universo das Nações Unidas, Guterres terá mais de uma centena de reuniões bilaterais com líderes vindos de todo o mundo.

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