Guterres condena atentado em mesquita do Paquistão que fez mais de 20 mortos
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou hoje o atentado à bomba contra uma mesquita em Khyber Pakhtunkhwa, no Paquistão, que matou mais de 20 pessoas, e exigiu responsabilização.
Além de condenar o ataque "nos termos mais fortes", Guterres sublinhou que os ataques contra civis e locais de culto são inaceitáveis e exigiu que os responsáveis sejam levados à justiça, segundo o seu porta-voz, Stéphane Dujarric.
O líder da ONU endereçou condolências às famílias das vítimas mortais e desejou uma rápida e completa recuperação aos feridos.
Expressou ainda a solidariedade das Nações Unidas para com o povo e o Governo do Paquistão nos seus esforços para combater o terrorismo e o extremismo violento.
Um carro-bomba explodiu hoje numa mesquita perto de uma esquadra da polícia no noroeste do Paquistão, enquanto homens armados tentavam invadir o complexo.
O ataque matou pelo menos 21 pessoas e feriu outras 80, disseram fontes policiais e equipas de resgate. Entre os mortos e feridos estavam polícias que participavam em orações na mesquita.
O ataque coordenado foi o mais recente de uma onda de violência militante perto da fronteira com o Afeganistão, onde elementos dos talibãs paquistaneses - conhecidos formalmente como Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP) - têm atacado cada vez mais a polícia e outras forças de segurança, à medida que o Governo intensifica as operações contra eles.
O atentado ocorreu em Kohat, um distrito em Khyber Pakhtunkhwa.
O autor do ataque aparentemente lançou um veículo carregado de explosivos contra a mesquita, disse Zulfiqar Hameed, chefe de polícia local.
Pelo menos sete homens armados tentaram entrar no complexo policial e trocaram tiros com os agentes.
Seis dos homens armados foram mortos, segundo a polícia, que afirmou que um homem-bomba atacou o escritório de uma agência de inteligência nas proximidades.
O complexo policial abrigava a polícia antiterrorista, que havia realizado operações contra militantes em toda a província nos últimos anos.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, condenou o ataque e expressou pesar pelas vítimas.
O ataque ocorre um dia depois de uma bomba à beira de uma estrada ter atingido uma coluna das forças de segurança no distrito vizinho de Hangu, provocando a morte a seis soldados.
Em resposta, as tropas governamentais realizaram buscas em várias áreas na quinta-feira e mataram 10 militantes do TTP, segundo o exército e a polícia.
Os talibãs paquistaneses têm intensificado os ataques contra a polícia e civis nos últimos anos.
Em 2023, um bombista-suicida matou 101 pessoas num atentado no interior de uma mesquita em Peshawar, capital da província de Khyber Pakhtunkhwa.
O grupo é independente, mas aliado dos talibãs do Afeganistão.
O Governo do Paquistão acusa frequentemente Cabul de dar refúgio aos elementos do TTP e de fechar os olhos aos ataques transfronteiriços.
As autoridades do Afeganistão desmentem as acusações paquistanesas.