Guterres insiste em financiamento previsível e adequado para missões de paz
O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou hoje os Estados-membros da organização a financiarem as operações de manutenção da paz de forma previsível e adequada.
"Estar preparado significa investir, de forma constante, nas pessoas e nos instrumentos de manutenção da paz -- incluindo missões mais móveis, nas capacidades militares e policiais do futuro e meios para combater os drones", disse Guterres, frisando que a natureza dos conflitos está a mudar rapidamente.
Ao discursar no debate do Conselho de Segurança sobre as Operações de Manutenção da Paz das Nações Unidas, António Guterres argumentou que a manutenção da paz deve permanecer uma ferramenta política que apoia, e não substitui, as soluções políticas.
O antigo primeiro-ministro português alertou que os conflitos estão a tornar-se cada mais complexos, com menos acordos de paz, aumento dos ataques a civis e forças de paz, tecnologias emergentes como drones e desinformação impulsionada por inteligência artificial, além de recursos cada vez mais escassos.
"Muitas vezes, os nossos mandatos não acompanharam essa mudança», lembrou, pedindo uma reformulação completa das operações.
Guterres delineou cinco prioridades: colocar a consolidação da paz em primeiro lugar, construir parcerias mais fortes com os Estados anfitriões, adaptar os mandatos às realidades atuais, capacitar as operações de paz com recursos e tecnologia adequados e fortalecer a cooperação com as organizações regionais.
"Em vários locais, os soldados da paz ainda não têm acesso a tecnologias que qualquer força moderna consideraria básicas. Isso prejudica a sua capacidade de cumprir os seus mandatos", deu como exemplo.
O chefe da ONU enfatizou que «não podemos manter a paz onde não há paz para manter» e pediu a unidade do Conselho de Segurança na prevenção de conflitos e no apoio a soluções políticas.
Insistindo que «a paz não pode ser importada», Guterres, que deixará a liderança a ONU no final do ano, apelou a um investimento renovado na paz, na responsabilização e na ação coletiva para criar caminhos duradouros para a paz.
"Na sombra da guerra, as pessoas ainda olham para os `capacetes azuis` e confiam neles. Sejamos dignos dessa confiança todos os dias. Invistamos na paz. Sejamos responsáveis e modernizemo-nos, tornando-nos mais eficazes e económicos. Unidos, apoiemos aqueles que a mantêm. E juntos, trilhemos novos caminhos para a paz", concluiu.
No mesmo debate, o ministro das Relações Exteriores do Panamá, Javier Martínez Vásquez, destacou que «o sucesso de uma operação de paz não é medido pelo tempo que uma missão permanece no local, mas sim pelo tempo que a paz pode perdurar após a retirada da missão».
A diplomacia preventiva, a mediação, o diálogo político e a construção da confiança continuam a ser das ferramentas mais poderosas que a Organização possui, acrescentou.
Já o diplomata chinês, Fu Cong, indicou que problema da liquidez continua a ser um gargalo que limita as missões de manutenção da paz, enfatizando a necessidade de fortalecer ainda mais a comunicação entre o Conselho, o Secretariado, os países anfitriões e os países que contribuem com tropas, a fim de melhorar os vínculos entre os mandatos, a implementação das operações e as garantias de recursos.