Guterres lança alerta sobre fissuras em sarcófago nuclear no Pacífico

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O sarcófago de betão foi construído nos anos 70 do século XX, como recipiente para os resíduos de ensaios nucleares realizados no Pacífico. Hoje, há indícios de fugas que podem contaminar as águas do oceano.

O secretário-geral da ONU, actualmente em digressão pelo Pacífico Sul, admitiu a dívida da comunidade internacional para com os ilhéus da região afectada por ensaios nucleares durante a Guerra Fria.


António Guterres, em alocução dirigida a estudantes, citada pelo site de Al Jazeera, fez-se eco da preocupação com as fugas de material radioactivo do sarcófago que era suposto funcionar como lixeira nuclear.

Segundo Guterres, "as consequências destes [ensaios] foram bastante dramáticas no que diz respeito à saúde, no que diz respeito ao envenamento da água em algumas áreas".

E acrescentou: "Acabo de estar com a presidente das Ilhas Marshall [Hilda Heine], que está muito preocupada com o risco de uma fuga de materiais radioactivos, que se encontram numa espécie de sarcófago na região".

A estrutura de betão construída há quase meio século situa-se no atol de Enetwak, nas Ilhas Marshall. Consiste numa cratera, revestida com 45 cm de betão, que na origem estava pensada como provisória e deveria ter sido reforçada - algo que nunca se concretizou. A ausência das obras que deviam completar o isolamento está na origem dos actuais receios sobre a fuga de radioactividade.

Entre 1946 e 1958, os atóis de Enetwak e Bikini, então sob administração norte-americana, foram palco de 67 ensaios nucleares do Pentágono. A mais poderosa das bombas testadas, a bomba de hidrogénio "Bravo", era cerca de mil vezes mais letal do que a bomba de Hiroshima. Na altura, muitos dos ilhéus tiveram de ser evacuados, ao passo que milhares de outros permaneceram sob o efeito das radiações.

Com o tempo, foram sendo observadas fissuras no revestimento, que poderão continuar a agravar-se progressivamente, ou sob o efeito súbito de qualquer ciclone tropical.

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