Há menos pessoas no Japão pela primeira vez em quase cem anos

Pela primeira vez em quase 100 anos, a população do Japão encolheu. Os últimos censos mostram que em cinco anos o país do sol nascente perdeu quase um milhão de habitantes.

Ana Sanlez - RTP /
Thomas Peter - Reuters

Desde 1920, data dos primeiros censos, que o Japão não registava uma queda do número de habitantes. Aconteceu nos últimos cinco anos, segundo mostram os últimos registos demográficos do país.

Em outubro do ano passado o Japão contava com 127,1 milhões de habitantes, menos 0,7 por cento, ou 947 mil pessoas, do que na última consulta populacional, em 2010. Os números do Ministério do Interior não surpreenderam os responsáveis japoneses, que já antecipavam o declínio, face à queda da taxa de natalidade para 1,42 filhos por mulher, mas também ao recuo da imigração.

O Japão enfrenta ainda um acelerado envelhecimento da população, cuja esperança média de vida ronda os 83 anos. A economia nipónica tem sofrido as consequências de uma população envelhecida. A estagnação do crescimento e o aumento dos custos com o setor da saúde são os efeitos mais imediatos.

E as previsões apontam para um acentuar da tendência nas próximas décadas, com a população ativa em forte queda. Segundo as estimativas do Governo, cerca de 40 por cento dos cidadãos japoneses terá mais de 65 anos em 2060, e a população terá diminuído cerca de um terço, para 87 milhões de pessoas. Em 2015 já quase um terço dos japoneses tinha mais de 65 anos, e em 2045 o país terá perdido 13 por cento da mão de obra. Más notícias para uma economia baseada no consumo.
Mais bebés, pede o Governo
É por isso que uma das grandes batalhas do governo de Shinzo Abe tem sido contrariar a queda livre da taxa de natalidade. A prioridade do executivo nipónico é manter a população acima dos 100 milhões de habitantes, com medidas fiscais de incentivo à natalidade e mais facilidades para as mulheres no acesso ao mercado de trabalho.

Mas os especialistas garantem que o objetivo é impossível, mesmo que o Governo consiga aumentar o número de filhos por mulher para 1,8, a meta definida por Abe. Para travar a tendência, cada japonesa teria de ter 2,1 filhos.
Fuga de Fukushima
Das 47 províncias que constituem o território japonês, apenas oito registaram um aumento da população. Tóquio foi uma delas, com um aumento de 2,7 por cento. A capital nipónica tem mais de 36 milhões de habitantes, quase 30 por cento do total do país.

Já o maior declínio aconteceu na província de Fukushima, que perdeu 115 mil pessoas em cinco anos. O fenómeno é explicado pelo acidente na central nuclear daquela região, que foi atingida por um sismo de magnitude 9,0 e um tsunami em 2011, e provocou uma debandada de habitantes, receosos com as possíveis consequências do desastre.

A população japonesa atingiu o pico de crescimento em 1950. O declínio começou a partir de 1975. Em 2011 chegou aos zero por cento.

A economia japonesa, a mais endividada do mundo, está estagnada há quase duas décadas, em parte devido à relutância dos investidores em apostar numa economia que, provavelmente, vai continuar a encolher.

Ainda assim o Japão mantém-se no número 10 no ranking dos países mais populosos do mundo.
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