Há 74 acusados, 22 detidos, 30 testemunhas protegidas no 11-M

Após um ano de investigação judicial, há 74 pessoas processadas pelos atentados que mataram 191 pessoas a 11 de Março em Madrid, das quais se presume que cheguem a julgamento pelo menos as 22 detidas preventivamente, revelou a Audiência Nacional.

Agência LUSA /

Desta investigação, a mais importante na história deste tribunal especial, que se prolongará até ao Verão, foi levantado o segredo apenas da primeira fase, que diz respeito às provas do massacre, e divulgados agora dados que revelam um trabalho exaustivo.

Das 78 detenções feitas pela Polícia e Guarda Civil, 74 pessoas foram conduzidas ao juiz e processadas por ele, das quais 22 estão detidas e 17 com obrigatoriedade de comparecer periodicamente.

Há 30 testemunhas protegidas, de várias nacionalidades, a muitas das quais se mudou a identidade e o domicílio, e pelo menos duas testemunhas reconheceram dois dos detidos: Jamal Zougam, marroquino, e Basel Ghayoun, sírio, ambos presumíveis autores materiais dos atentados.

Sabe-se que a prova fundamental da investigação foi o telemóvel encontrado na 13/a bomba, que foi desmontada meticulosamente por um agente especial e não detonada de forma controlada, como outras duas que não chegaram a explodir.

Foi, "seguindo o rasto" das chamadas feitas e recebidas nesse telemóvel, que, segundo a Audiência Nacional, a polícia científica chegou a muitos dos agora detidos, alguns apenas dois dias depois do maior atentado terrorista num país da Europa.

É certo também, como referiu o próprio presidente da Audiência Nacional, Carlos Divar, com base nas informações dadas pelo juiz do processo, Juan Del Olmo, que "a trama era ampla e calculada com detalhe" e o que resulta, não só da investigação dos primeiros momentos como do suicídio de alguns dos terroristas, é que "tudo tem características de terrorismo de cariz islâmico".

Mas o trabalho deste tribunal especial é também medido por números, que vão para além dos detidos e outros dados da investigação:

uma dúzia de acariações entre detidos e uma testemunha protegida, mais de 20 rondas de reconhecimento com testemunhas presenciais, provas de ADN feitas aos 74 acusados e outras 15 pessoas que fizeram declarações perante o tribunal especial.

Os rastreios de tráfico de chamadas telefónicas "são incontáveis", referiu uma fonte oficial da Audiência Nacional, indicando que se fizeram provas periciais a mais de uma dezena de explosivos e detonadores.

Conclusões definitivas deverão acontecer depois do Verão, quando estiver concluída a investigação, mas o julgamento dos presumíveis culpados [até agora foi julgado e condenado só o menor implicado, ao qual se aplica uma lei distinta] só deverá ter início em Janeiro ou Fevereiro de 2006, revela o presidente da Audiência Nacional.

Além da acusação popular, a Audiência Nacional revelou que há 12 acusações particulares, todas de familiares de pessoas falecidas, e prevê-se que o julgamento seja de tal dimensão, pelo número de processados, que "haverá que procurar um lugar" porque a Audiência Nacional "não tem espaço".

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