Haiti. Quatro suspeitos abatidos pela polícia após assassinato do Presidente Moise

Quatro homens foram mortos e dois foram detidos pelas autoridades do Haiti esta quinta-feira, enquanto decorre no país uma caça ao homem para encontrar todos os responsáveis pelo assassinato do Presidente Jovenel Moise. Segundo a polícia do Haiti, há ainda suspeitos em fuga.

Joana Raposo Santos - RTP /
O Presidente Jovenel Moise foi assassinado na quarta-feira, aos 53 anos, por atacantes que invadiram a sua residência. Reuters

“Bloqueámos [os suspeitos] quando estes abandonavam o local do crime”, avançou o chefe da polícia, Léon Charles, numa conferência de imprensa. “Desde esse momento, iniciámos um confronto com eles”.

Quatro dos homens acabaram abatidos pela polícia e dois foram detidos, mas outros continuam em fuga. “Vão ser mortos ou capturados”, garantiu o chefe da polícia, sem dar pormenores sobre as identidades dos suspeitos.

As autoridades avançaram que os suspeitos do assassinato de Jovenel Moise estão fortemente armados e que chegaram mesmo a fazer três polícias reféns, apesar de já os terem libertado.

O Presidente do Haiti foi assassinado na quarta-feira, aos 53 anos, por atacantes que invadiram a sua residência. Segundo a imprensa local, foram encontrados 12 ferimentos de bala no corpo de Jovenel Moise e a casa foi assaltada. Dois trabalhadores domésticos da habitação terão sido amarrados pelos atacantes.

A mulher de Moise, Martine, ficou ferida e teve de ser hospitalizada, encontrando-se numa situação “crítica, mas estável”, de acordo com as autoridades. Os três filhos do casal, Jomarlie, Jovenel Jr. e Joverlein encontram-se agora numa “localização segura”.

Léon Charles pediu aos moradores da área onde ocorreu o crime para que se mantenham em casa enquanto decorre esta caça ao homem.
Suspeitos “falavam inglês e espanhol”
O primeiro-ministro cessante do Haiti, Claude Joseph, pediu por sua vez à população que permaneça calma, tendo indicado que a polícia e o exército vão assegurar a ordem no país após este “ato odioso, desumano e bárbaro” cometido por “mercenários”.

Segundo Joseph, os suspeitos do assassinato eram “estrangeiros que falavam inglês e espanhol”. Os idiomas oficiais no Haiti são o crioulo e o francês. O ministro das Comunicações do país disse, porém, existirem também nativos entre os suspeitos do assassinato.

Um vídeo divulgado após o tiroteio entre polícia e suspeitos mostrava homens armados, vestidos de negro, no exterior da residência do Presidente enquanto gritavam, em inglês: “operações da DEA [agência norte-americana anti-drogas], todos no chão!”.

O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Bocchit Edmond, veio entretanto dizer que a afirmação dos atacantes era falsa e que estes não eram agentes norte-americanos.
Data das eleições é incógnita no Haiti
O assassinato de Jovenel Moise ocorreu numa altura em que aumenta a violência dos gangues no Haiti, que é também a nação mais pobre do continente americano. O país ainda tenta recuperar do devastador terramoto de 2010 e do furacão Matthew, em 2016.

A inflação tem vindo a aumentar e os alimentos e combustível são cada vez mais escassos, realidade que se acentuou nos últimos anos, afligindo os mais de 11 milhões de habitantes, dos quais 60 por cento ganham menos de dois dólares por dia. A situação levou Jovenel Moise a ser acusado de inação e a enfrentar uma forte desconfiança por parte da sociedade civil.

Moise foi eleito Presidente em 2016 e tomou posse em 2017, mas desde 2019 passou a governar por decreto, depois de conflitos no país terem atrasado as eleições que deveriam ter decorrido em outubro desse ano. Durante quatro anos no poder, Moise teve seis primeiros-ministros e estava a caminho do sétimo, que nomeou um dia antes de ser assassinado.

O Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos e a Europa já apelaram à realização de eleições legislativas e presidenciais livres e transparentes até final de 2021.


c/ agências
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