Mundo
Han Kuang. Taiwan sob pressão chinesa inicia dez dias de manobras com milhares de reservistas
Os exercícios militares anuais começaram às primeiras horas da manhã com uma ordem emitida a partir de um centro de comando subterrâneo em Taipé.
As Forças Armadas de Taiwan deram esta quarta-feira início às manobras anuais Han Kuang, que vão prolongar-se por dez dias. O objetivo é ensaiar a adaptabilidade das estruturas militares da ilha num cenário de intervenção chinesa. Pela primeira vez, as autoridades de Taipé vão limitar temporariamente os acessos à internet.
Até 14 de agosto, as tropas taiwanesas, incluindo mais de 20 mil reservistas, vão simular cenários de combate em contexto de invasão. Este ano, procura-se descentralizar o comando das operações, ao permitir que os oficiais no terreno decidam sem aguardar instruções do centro de comando.
Dezenas de reservistas posicionaram-se, nas últimas horas, numa praia do Estreito de Taiwan, efetuando disparos com espingardas de assalto produzidas na ilha. Outros treinaram o carregamento de morteiros e a utilização de espingardas automáticas M4 no pátio de uma escola de Taipé.Além de um travão temporário à velocidade da internet, os civis taiwaneses serão também confrontados com exercícios de alerta para ataques aéreos.
No sul da ilha, foram mobilizados vasos de guerra e, nas ruas de Taichung, cidade do centro do território, tanques e outros veículos blindados efetuaram manobras.
Nos próximos dez dias, navios da Marinha e da Guarda Costeira vão treinar escoltas a cargueiros na simulação de um bloqueio, por parte da China, nas águas a leste de Taiwan.
As autoridades taiwanesas propõem-se igualmente avaliar “a capacidade das fábricas mobilizadas para sustentar a produção em tempo de guerra”, assim como a “realocação, em tempo de guerra”, de unidades de produção militar e da população civil.
“O treino pode ser sempre aperfeiçoado”
A frase é do ministro taiwanês da Defesa. Já esta quarta-feira, Wellington Koo veio enfatizar que as Forças Armadas da ilha continuarão a “treinar com assiduidade e intensidade”, sem olhar à crónica pressão diplomática e militar da China.
“Para estarmos perfeitamente preparados em tempo de paz e capazes de cumprir as nossas missões em tempo de guerra”, completou o governante.
“À medida que o autoritarismo do PCC continua a expandir-se, o terror vermelho também se espalha pelos quatro cantos do mundo”, clamara em maio o presidente taiwanês, ao intervir num fórum de segurança que antecedeu os exercícios Han Kuang.
“Continuaremos a fortalecer a nossa defesa nacional e a implementar uma defesa e uma resistência que envolvam toda a sociedade”, acrescentaria Lai Ching-te.A China, que reivindicam a soberania sobre Taiwan, mobiliza em permanência navios da Marinha e da Guarda Costeira e caças-bombardeiros em torno da ilha.

Um navio chinês da classe Luyang III navega perto do contratorpedeiro USS Chung-Hoon no Estreito de Taiwan | Andre T. Richard - Marinha dos EUA via Reuters
Além de Pequim, o Governo de Taiwan lida também com a pressão de Washington, que quer ver a ilha a multiplicar o investimento militar. Para responder ao seu principal aliado, Taipé comprometeu-se a aumentar as despesas com a defesa, até 2030, para os cinco por cento do Produto Interno Bruto.
Este é, todavia, um foco de contenda política interna. As duas maiores forças políticas da oposição, Kuomintang (KMT) e Partido Popular de Taiwan (TPP), aprovaram em maio um orçamento para a defesa de 25 mil milhões de dólares, o equivalente a 21,7 mil milhões de euros, abatendo um terço ao montante pedido pelo Partido Democrático Progressista (DPP), do presidente Lai Ching-te.
c/ Reuters e AFP
Até 14 de agosto, as tropas taiwanesas, incluindo mais de 20 mil reservistas, vão simular cenários de combate em contexto de invasão. Este ano, procura-se descentralizar o comando das operações, ao permitir que os oficiais no terreno decidam sem aguardar instruções do centro de comando.
Dezenas de reservistas posicionaram-se, nas últimas horas, numa praia do Estreito de Taiwan, efetuando disparos com espingardas de assalto produzidas na ilha. Outros treinaram o carregamento de morteiros e a utilização de espingardas automáticas M4 no pátio de uma escola de Taipé.Além de um travão temporário à velocidade da internet, os civis taiwaneses serão também confrontados com exercícios de alerta para ataques aéreos.
No sul da ilha, foram mobilizados vasos de guerra e, nas ruas de Taichung, cidade do centro do território, tanques e outros veículos blindados efetuaram manobras.
Nos próximos dez dias, navios da Marinha e da Guarda Costeira vão treinar escoltas a cargueiros na simulação de um bloqueio, por parte da China, nas águas a leste de Taiwan.
As autoridades taiwanesas propõem-se igualmente avaliar “a capacidade das fábricas mobilizadas para sustentar a produção em tempo de guerra”, assim como a “realocação, em tempo de guerra”, de unidades de produção militar e da população civil.
“O treino pode ser sempre aperfeiçoado”
A frase é do ministro taiwanês da Defesa. Já esta quarta-feira, Wellington Koo veio enfatizar que as Forças Armadas da ilha continuarão a “treinar com assiduidade e intensidade”, sem olhar à crónica pressão diplomática e militar da China.
“Para estarmos perfeitamente preparados em tempo de paz e capazes de cumprir as nossas missões em tempo de guerra”, completou o governante.
“À medida que o autoritarismo do PCC continua a expandir-se, o terror vermelho também se espalha pelos quatro cantos do mundo”, clamara em maio o presidente taiwanês, ao intervir num fórum de segurança que antecedeu os exercícios Han Kuang.
“Continuaremos a fortalecer a nossa defesa nacional e a implementar uma defesa e uma resistência que envolvam toda a sociedade”, acrescentaria Lai Ching-te.A China, que reivindicam a soberania sobre Taiwan, mobiliza em permanência navios da Marinha e da Guarda Costeira e caças-bombardeiros em torno da ilha.
Um navio chinês da classe Luyang III navega perto do contratorpedeiro USS Chung-Hoon no Estreito de Taiwan | Andre T. Richard - Marinha dos EUA via Reuters
Além de Pequim, o Governo de Taiwan lida também com a pressão de Washington, que quer ver a ilha a multiplicar o investimento militar. Para responder ao seu principal aliado, Taipé comprometeu-se a aumentar as despesas com a defesa, até 2030, para os cinco por cento do Produto Interno Bruto.
Este é, todavia, um foco de contenda política interna. As duas maiores forças políticas da oposição, Kuomintang (KMT) e Partido Popular de Taiwan (TPP), aprovaram em maio um orçamento para a defesa de 25 mil milhões de dólares, o equivalente a 21,7 mil milhões de euros, abatendo um terço ao montante pedido pelo Partido Democrático Progressista (DPP), do presidente Lai Ching-te.
c/ Reuters e AFP