Hantavírus. Espanha e Países Baixos organizam repatriamentos de 140 pessoas

Hantavírus. Espanha e Países Baixos organizam repatriamentos de 140 pessoas

Os Estados Unidos da América foram, até agora, o único país a comunicar o envio de um avião às Canárias, para repatriar os 17 norte-americanos ainda a bordo do MV Hondius, o navio cruzeiro onde ocorreu um surto de hantavírus.

RTP /
Vista de drone do navio MV Hondius em trânsito Reuters

A secretária-geral da Proteção Civil de Espanha, Virginia Barcones, referiu em conferência de imprensa que os restantes 21 países que também têm cidadãos a bordo, incluindo Portugal, informarão "nas próximas horas", como irão proceder.

Poderão enviar aviões próprios ou recorrer a um "mecanismo conjunto", no âmbito do mecanismo europeu de proteção civil, explicou a secretária-geral espanhola.

Virginia Barcones acrescentou que, tanto no caso de países europeus como de outros de fora da União Europeia, que por algum motivo não enviem aviões próprios, os Países Baixos, país do armador do MV Hondius, assumirão os custos dos repatriamentos, sobretudo da tripulação do navio,que inclui 38 filipinos.

A chefe da Proteção Civil espanhola realçou que os Países Baxos "assumiram plenamente a sua responsabilidade" neste caso e tem havido uma "estreitíssima colaboração" com as autoridades deste país. 

Os Países Baixos assumirão igualmente os custos relacionados com a operação de transferência dos ocupantes do paquete para o aeroporto de Tenerife, a partir de onde serão repatriados, acrescentou. O MV Hondius, está atualmente em trânsito após ter saído de Cabo Verde, sendo esperado até domingo no arquipélago espanhol das Canárias. Estão a bordo do navio mais de 140 pessoas de 23 nacionalidades.

Virigina Barcones confirmou que o barco vai fundear, sem acostar, em frente do porto industrial de Granadilla, na ilha de Tenerife, que fica a cerca de 10 quilómetros do aeroporto internacional de Tenerife Sul.

A menos que tenham sintomas de doença, todas as pessoas serão repatriadas a partir das Canárias e só sairão do barco quando os aviões em que serão transportadas já estiveram no aeroporto, para que possam entrar de imediato nas aeronaves.

A operação seguirá diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e dos organismos europeus envolvidos e não haverá qualquer contacto com a população local.

Barcones explicou que os 14 espanhóis que permanecem a bordo serão levados para um hospital militar em Madrid à chegada. 

O diretor-geral da Saúde Pública de Espanha, Pedro Gullón, reiterou que os 14 deverão ficar em quarentena e disse que o Governo espanhol está a preparar um parecer jurídico para validar a sua aplicação obrigatória em todos estes casos.

Pedro Gullón confirmou que há também a bordo do navio um cadáver, de um dos passageiros que morreu na travessia do cruzeiro pelo Atlântico Sul, cujo desembarque obedecerá a protocolos habituais nestes casos, numa situação que disse ser "bastante frequente" em navios.

Para os repatriamentos, o mecanismo europeu de proteção civil poderá ser aplicado a passageiros e tripulantes de França (5), da Alemanha (8), da Grécia (1), da Bélgica (1), dos Países Baixos (11), da Irlanda (2), da Polónia (1), de Portugal (1), da Turquia (3), dacUcrânia (3) e do Montenegro (1). O português a bordo é membro da tripulação.

Cidadãos do Reino Unido (23), Canadá (4), Austrália (4), Japão (1), Nova Zelândia (1), Argentina (1), Rússia (1), Índia (2) e Guatemala (1), poderão solicitar o apoio do mecanismo ou dos Países Baixos, ou enviar os seus próprios meios.

O MV Hondius fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e as Canárias, quando surgiram relatos de doença a bordo.

c/Lusa
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