Helicanhões, blindados e soldados avançam para o centro de Andijan

Dois helicanhões, blindados e soldados uzbeques transportados em camiões apertam o cerco à praça central da cidade de Andijan (Vale de Fergana, leste), ocupada por manifestantes anti-regime, anunciou hoje um porta-voz do Ministério do Interior, em Tashkent.

Agência LUSA /

A mesma fonte, citada pela agência noticiosa russa Interfax, adiantou que pelo menos uma dezena de blindados - não carros de combate - avançam, enquanto os manifestantes continuam a disparar sobretudo junto ao edifício da administração local, ocupado.

O porta-voz precisou que cerca de 1.500 manifestantes se dividiram em três grupos, cada um com duas centenas de elementos armados, tomando posições na praça central e nas quatro ruas convergentes para defender o imóvel transformado em bastião de resistência, e exigindo uma "mudança no poder".

Outras fontes asseguram que na praça central da cidade - a terceira do país, com 400.000 habitantes - se concentram entre 4.000 e 15.000 pessoas.

Pelo menos uma pessoa perdeu a vida e 10 ficaram feridas no intenso tiroteio, que espalhou o pânico. Outras informações de testemunhas apontam para três mortos.

No entanto, o dirigente oposicionista Kabulkon Parpiyev assegurou que já morreram 50 pessoas, duas das quais crianças, e centenas ficaram feridas.

Em números oficiais da televisão estatal uzbeque o balanço é de nove mortos e 34 feridos.

Os manifestantes tentaram abrir uma brecha nas linhas das forças da ordem, colocando como "escudos humanos" polícias sequestrados, mas acabaram por ser repelidos, contaram testemunhas presenciais.

O Cazaquistão (norte) e Quirguistão (leste) fecharam hoje as fronteiras com o Uzbequistão e o Tajiquistão (sudeste) reforçou a vigilância nas suas, para impedir a eventual entrada de extremistas e criminosos, declarou Gulmira Boruaeva, porta-voz em Dushambé.

Boruaeva precisou terem sido dadas ordens para apertar o controlo de passaportes e viaturas, mas que o Tajiquistão não fechará as fronteiras com o Uzbequistão a não ser que a situação se torne "instável".

Israel, depois do incidente armado registado hoje de manhã à entrada da sua embaixada em Tashkent, onde foi abatido um suspeito de ataque suicida, declarou em estado de alerta todas as suas representações diplomáticas no estrangeiro.

Sylvan Shalom, chefe da diplomacia de Telavive, justificou que se trata apenas de "um mecanismo automático de emergência".

Em Moscovo, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, falando aos jornalistas considerou os acontecimentos "assunto interno do Uzbequistão" e garantiu que a revolta está "estabilizada".

Uma violenta revolta eclodiu na última noite em Andijan, onde milhares de manifestantes, inconformados com o julgamento de 23 homens de negócios - acusados de fundarem uma célula do movimento Akramia, braço do ilegalizado Hizb-ut-Tahrir-al-Islami (Partido da Libertação Islâmica), ligado nomeadamente à Al-Qaida - lograram entrar na prisão de alta segurança de Andijan e libertaram de 2.000 a 4.000 reclusos.

Anteriormente, tinham tomado de assalto um quartel, onde roubaram uma grande quantidade de munições e armas, nomeadamente metralhadoras Kalashnikov (AK-47). Um cinema e um teatro foram incendiados.

O presidente uzbeque, Islam Karimov, foi de urgência para Andijan, onde as forças da ordem dispararam sobre simpatizantes dos revoltosos que denunciavam o autoritarismo do regime, fazendo pelo menos 20 mortos.

Karimov, segundo os serviços de imprensa da presidência uzbeque, está a tentar negociar com os manifestantes.

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