Helicópteros aterram no palácio presidencial do Haiti
Vinte helicópteros Black Hawk aterraram no palácio presidencial em Port-au-Prince e de imediato os militares a bordo montaram um dispositivo de segurança à volta do local. Aparentemente os EUA estão a montar uma base avançada para ajuda humanitária, até agora centrada no aeroporto do país.
Os militares, fortemente armados, descarregaram vários caixotes com água e rações de alimentos, assim como equipamento que permite montar um perímetro de segurança à volta do palácio presidencial, que era até ao terramoto o centro de poder no país. O palácio ruiu quase totalmente após o sismo de 7.0 na escala de Richter.
A ajuda humanitária, até agora concentrada no aeroporto do Haiti, tem demorado a chegar à população que, com o decorrer dos dias, fica cada vez mais desesperada à procura de água e alimentos.
A enviada especial da RTP em Port-au-Prince, Rosário Salgueiro, disse hoje que "as questões de segurança têm estado a impedir que centenas de equipas humanitárias de todo o mundo partem para o terreno".
A iniciativa norte-americana, que tem liderado, em conjunto com as Nações Unidas, as operações de ajuda no país, indica que os EUA querem criar naquele local um posto avançado de comando que permita distribuir com maior eficácia, alimentos e água.
"Não queríamos ver militares estrangeiros no nosso país mas dada a terrível situação que vivemos, a sua presença é necessária", disse à agência Reuters Alex Michel, um haitiano de 40 anos que viu os Black Hawk a ocupar o terreno do palácio presidencial.
EUA garantem que operação no Haiti tem com único objectivo a ajuda humanitária
As autoridades norte-americanas garantem que a presença no país - mais de 11 mil militares vão estar no terreno - tem como único objectivo a ajuda humanitária, mas algumas vozes já discordaram da forma como essa assistência está a ser realizada.
O ministro francês da Cooperação - país que ocupou durante mais de 100 anos o Haiti (de 1967 a 1804) - disse esta semana que os EUA estavam a dar prioridade aos próprios voos militares em relação a aviões de outros países que querem aterrar no Haiti. "Isto é para ajudar o Haiti, não para ocupar o Haiti", disse então Alain Joyandet. Os EUA ocuparam o Haiti de 1915 a 1934.
As críticas deste elemento do Governo francês foram hoje relativizadas pelo próprio presidente Nicolas Sarkozy que louvou o "papel essencial" dos norte-americanos no país.
Sarkozy afirmou mesmo que está "totalmente satisfeito" com a cooperação entre os EUA e a França na ajuda às vítimas do sismo.
Chavez critica a forma com os EUA estão a organizar a ajuda no terreno
Já no domingo o presidente da Venezuela tinha criticado a actuação norte-americana. "Li que três mil soldados estão a chegar (ao Haiti), armados como se fossem para a guerra", disse Hugo Chavez. "Não há falta de armas lá, meu Deus. Médicos, medicamentos, combustível, hospitais de campanha, isso é o que os Estados Unidos devem enviar".
Chavez acrescentou que não estava a tentar diminuir a importância da ajuda norte-americana mas apenas a questionar a necessidade de tantos militares no terreno.