Helpo aciona plano de emergência para apoiar estudantes afetados pelas cheias em Moçambique
A associação Helpo anunciou hoje que acionou um plano de emergência para dar assistência alimentar aos mais de mil estudantes que apoia nas regiões moçambicanas afetadas pelas cheias, as quais podem pôr também em causa o arranque do ano letivo.
A coordenadora executiva da Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) Helpo, Joana Clemente, disse hoje à Lusa que, perante a gravidade da situação no sul de Moçambique, foi acionado um plano de emergência para responder às necessidades dos 1.048 estudantes de 11 escolas secundárias em cinco distritos da província da cidade de Maputo, que habitualmente apoia.
"São estudantes oriundos de famílias com atestados de pobreza, e que vivem em condições muito precárias. No contexto das cheias em Maputo, não temos dúvidas que esta assistência alimentar será de extrema importância", assegurou.
O objetivo é prestar "assistência alimentar e de material escolar" à população já identificada por esta associação portuguesa, procurando garantir "a normalidade possível" no início do ano escolar, marcado para 30 de janeiro.
"Em relação às escolas, teremos de aferir a dimensão dos danos nas estruturas e perceber qual a capacidade de resposta", disse.
Segundo dados provisórios divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) de Moçambique, pelo menos 13 pessoas morreram e 585.627 foram afetadas nas duas últimas semanas nas cheias que se registam no país.
O INGD refere ainda que foram afetadas 127.486 famílias, 2.867 casas ficaram parcialmente destruídas, 743 totalmente destruídas e 71.560 inundadas.
Os dados do INGD referem ainda dois feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias, em 15 dias, e numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.
Joana Clemente afirmou que a Helpo, que desenvolve vários projetos em diversos pontos do país, opera na província da cidade de Maputo com uma equipa de nove voluntários.
"Tivemos já uma reunião esta semana para identificar as escolas que servem de centros de acomodação, e procurar acionar o estabelecimento de espaços de aprendizagem temporários para que as crianças possam recomeçar as aulas ainda que as escolas estejam ocupadas", salientou.
A coordenadora executiva da Helpo lembrou que o esforço para assegurar a inscrição dos alunos é um trabalho permanente e diário, agravado agora pelas cheias que assolam o país.
"Quando se olha para um obstáculo desta dimensão, a preocupação é muito maior, e a preocupação das entidades governamentais também, incluindo o INGD, [que] estão já a atuar para conseguir realocar estas pessoas, ou, em alternativa, para conseguir montar estes espaços de aprendizagem temporária", afirmou.
Perante os impactos severos e implacáveis dos recentes fenómenos climáticos extremos, que afetam sobretudo as províncias de Maputo, Maputo cidade, Sofala e Gaza, a associação portuguesa acionou um plano de emergência de primeira resposta, mas teme que os casos mais críticos ainda não tenham sido reportados.
"A nossa equipa de Maputo está a dar resposta, mas a expectativa é que só com o passar dos dias teremos conhecimento dos casos mais críticos", alertou.
Paralelamente, a associação ativou a campanha de apoio de emergência "Juntos no apoio às vítimas das cheias em Moçambique", com recolha de donativos através da opção Ser Solidário no MB Way, ou por transferência bancária para o IBAN PT50 0010 0000 34833480006 19.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 124 pessoas em Moçambique e 723.532 pessoas foram afetadas, segundo o INGD.