Helpo apela a portugueses para continuarem a "alimentar sorrisos" em Moçambique

A associação Helpo lança sábado uma campanha em que convida os portugueses a adquirirem vales de um a cinco euros que permitem comprar lanches, mochilas e manuais escolares para as crianças que apoia em Moçambique.

Lusa /

Na sua terceira edição, a campanha "Vamos alimentar sorrisos" propõe-se aumentar o valor das doações dos anos anteriores, de forma a, além do apoio às comunidades onde habitualmente trabalha (norte de Moçambique), a Helpo poder prolongar a missão de emergência em nutrição maternoinfantil no Dombe (centro), afetada pelo ciclone Idai, até ao final de março de 2020, afirma uma nota desta organização não governamental para o desenvolvimento.

A campanha decorre de 31 de agosto a 10 de setembro nas mais de 420 lojas Pingo Doce que aderiram à iniciativa, sendo os portugueses convidados a adquirir vales, de 1, 3 ou 5 euros, que permitem comprar lanches, mochilas e manuais escolares para as crianças.

A associação sublinha que "um simples lanche, distribuído na escola, pode ser o incentivo necessário para levar uma criança às aulas diariamente" e que é comum, nas zonas onde trabalha, "não existir um único manual escolar, nem sequer para o professor".

Por outro lado, "nestas comunidades, onde muitas crianças têm de fazer vários quilómetros a pé para chegar à escola, uma mochila pode fazer toda a diferença".

Na campanha deste ano, a Helpo quer aumentar o número de voluntários que sensibilizam os clientes para a aquisição dos vales, salientando que foi graças à ajuda de 455 voluntários que foi possível angariar 51.000 euros em 2018, contra os 46.000 euros angariados na primeira edição, em 2016.

Em resposta à crise humanitária gerada pelo ciclone Idai, a Helpo deslocou para Dombe, no centro de Moçambique, três nutricionistas e um elemento de apoio logístico, que realizou rastreios nutricionais a 2.215 crianças até aos cinco anos e a 598 mulheres grávidas e lactantes, seguindo 70 crianças e 22 mulheres grávidas e lactantes nas consultas de nutrição do Centro de Saúde da Missão e 23 crianças internadas com desnutrição aguda grave no Hospital do Dombe.

Distribuiu ainda 194 cestas básicas de alimentos às famílias das crianças com desnutrição e apoiou 2.658 famílias com bens de primeira necessidade em 13 bairros do distrito, afirma.

Adquiriu igualmente um `kit` de 1.000 euros de medicamentos, 1.000 testes rápidos de malária, dois hemoglobinómetros, 1.000 unidades de teste para os hemoglobinómetros, uma balança, dois estadiómetros e meios de deslocação, como uma embarcação, uma viatura 4x4 para cinco ocupantes e 100 bicicletas para voluntários, agentes de saúde e estudantes.

No âmbito das campanhas realizadas em Portugal, Moçambique e São Tomé e Príncipe, a associação angariou, até ao momento, 262.568 euros, para financiar os custos de envio dos contentores, deslocação de recursos humanos e para necessidades logísticas no terreno, afirma a nota.

Por outro lado, recolheu e entregou 257 toneladas de bens alimentares, roupa e produtos de higiene, sendo que 90 destas toneladas foram recolhidas/compradas em Moçambique, contando com o apoio de seguradoras e empresas.

Das 167 toneladas recolhidas em Portugal, 121 foram enviadas em contentores, por via marítima. As restantes, por não corresponderem às necessidades das populações afetadas, foram encaminhadas para a loja social Helpo (4,8 toneladas) e para outras instituições (42 toneladas), acrescenta.

No caso do ciclone Kenneth, ocorrido na zona onde a Helpo trabalha, a missão de emergência criada para resposta à crise humanitária apoia na prevenção da desnutrição e da cólera, através de um projeto cofinanciado pelo Camões I.P. e pela associação Water for all.

No âmbito deste projeto, são realizados rastreios nutricionais a todas as grávidas, lactantes e crianças até aos dois anos, é prestada assistência alimentar e é feito o encaminhamento dos desnutridos, ou em risco de desnutrição, para tratamento.

Por outro lado, é dada formação às comunidades sobre a adoção de comportamentos preventivos acerca da utilização da água e disponibilização de ferramentas que lhes permitam pô-los em prática.

Foram ainda adquiridas, em Moçambique, 31 toneladas de alimentos, que permitiram apoiar 698 famílias em quatro comunidades e um centro de abrigo que acolhia 120 pessoas e foram reconstruídas quatro escolas, três das quais já concluídas, acrescenta.

A Helpo trabalha, desde 2008, na promoção do desenvolvimento através da educação e da nutrição em Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, chegando, atualmente, a cerca de 57.000 crianças.

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