Historiador britânico declara-se culpado de ter negado o Holocausto
O historiador britânico David Irving declarou-se hoje culpado de ter negado o Holocausto e reconheceu na primeira sessão do julgamento, em Viena, ter errado ao afirmar que não existiram câmaras de gás em Auschwitz.
"Cometi um erro ao afirmar que não existiam câmaras de gás em Auschwitz", afirmou o historiador.
O arguido refutou, no entanto, a acusação de alguma vez ter negado o assassínio de milhões de pessoas pelos nazis e considerou "ridículo" estar agora a responder por declarações proferidas há 17 anos.
Irving, de 67 anos, apareceu em tribunal levando na mão um dos seus mais controversos livros - "A guerra de Hitler" (1977) - em que contesta a existência do Holocausto e considera que Hitler era "Amigo dos judeus".
Hoje, afirmou que a "História é como uma árvore, constantemente em mudança" e manifestou pesar "por todas as pessoas inocentes que morreram durante a II Guerra Mundial".
Por seu lado, o procurador do Ministério Público Michael Klackl, afirmou que Irving "é tudo menos historiador, é um ambicioso falsificador da história".
O procurador acusou o arguido de tentar difundir uma versão falsa da História da II Guerra Mundial, em que, segundo afirma, "não houve câmaras de gás, nem assassínios em massa organizados pelos nacional-socialistas".
Segundo a acusação, que fez uma espécie de resumo das teses defendidas por Irving, o historiador afirmou que durante o nazismo houve crimes isolados e que a maioria das vítimas nos campos de concentração morreram por causas naturais.
Irving, alvo de um mandado de detenção desde 1989, foi detido em Novembro último durante uma operação policial de rotina numa auto- estrada austríaca.
O historiador afirmou nos seus livros que durante o nazismo houve crimes isolados e que a maioria das vítimas nos campos de concentração morreram por causas naturais O mandado de detenção foi emitido depois de Irving ter feito dois discursos em 1989, em que negava a existência do Holocausto e o extermínio de mais de seis milhões de judeus.
O veredicto deve ser pronunciado ainda hoje e o historiador incorre numa pena de prisão até 10 anos.