Histórico da Fatah apela a uma nova revolta palestiniana

Uma das mais respeitadas figuras do movimento palestiniano pela independência apelou ontem a uma nova vaga de resistência civil contra Israel. Marwan Barghouti, que há dez anos está preso numa cadeia judaica, pediu a imediata interrupção das negociações de paz e instou os palestinianos a resistirem ativamente e a boicotarem os produtos israelitas. Barghouti pediu também aos países árabes para que lançem um boicote diplomático contra Israel e apelou à renovação dos esforços palestinianos junto da ONU, para conseguir o reconhecimento de um Estado independente.

RTP /
Barghouti apelou aos palestinianos para lançarem um novo movimento de resistência popular contra Israel DR

“A Autoridade Palestiniana deve pôr termo a toda a colaboração com Israel, tanto na área económica como de segurança, e trabalhar no sentido da reconciliação palestiniana”, diz Barghouti na mensagem enviada a partir da prisão de Hadarim.

“Deve compreender-se que não existe um interlocutor para [negociar] a paz em Israel quando o número de colonatos [construídos por colonos judeus em territórios palestinianos] duplicou”, prossegue o texto da missiva.
Barghouti defende novas ações de resistencia popular
Barghouti, que em 2000 foi um dos inspiradores da revolta que ficou conhecida por segunda intifada, diz que a resposta passa por uma nova vaga de resistência popular, que na sua opinião deverá ser combinada com ações diplomáticas.

“É um direito do povo palestiniano opor-se à ocupação por todos os meios e a resistência deve focar-se nos territórios de 1967”, prossegue o comandante aprisionado, referindo-se aos territórios palestinianos anexados por Israel na sequência da guerra dos seis dias.

“ O lançamento de uma resistência popular em larga escala serve a causa do nosso povo”, prossegue Barghouti na declaração, destinada a assinalar o décimo ano do seu cativeiro em Israel.
Boicote a produtos "made in Israel"
Além de apelar à resistência popular e ao fim das negociações de paz, Barghouti aconselha também os seus compatriotas a levarem a cabo um boicote generalizado aos produtos de fabrico israelita e fazerem campanha a favor dos produtos palestinianos.

Esse boicote económico deve, segundo o dirigente palestiniano, ser acompanhado de um boicote diplomático a que se deveriam associar os países árabes. 

Marwan Barghouti apela também à Autoridade Palestiniana para renovar os esforços no sentido do reconhecimento de um Estado palestiniano por parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas que foram bloqueados no ano passado pelos EUA e por Israel.
Barghouti diz que via das negociações "falhou miseravelmente"
O responsável palestiniano defende que, se estes esforços não tiverem êxito, “ a Autoridade Palestiniana deve recorrer à Assembleia-Geral da ONU e ao resto das suas agências”, onde os palestinianos desfrutam de mais apelos.

“Deixem de vender a ilusão de que é possível acabar coma ocupação e obter um Estado [palestiniano] através de negociações, depois de essa visão ter falhado miseravelmente”, diz na mensagem que foi lida a uma multidão de apoiantes em Ramallah na Cisjordânia.

Esta é a primeira vez que Marwan Barghouti apela a uma total suspensão das negociações de paz e encoraja os palestinianos a cortarem, tão radicalmente quanto possível, as relações com Israel.
"Dia da Terra" pode trazer incidentes
A altura escolhida foi em vésperas do “Dia da Terra” que, na sexta-feira, vai assinalar a morte de seis árabes israelitas ocorrida em 1976 e congregar protestos contra as políticas territoriais do Estado judaico.

Está previsto que milhares de pessoas se manifestem ao longo das fronteiras de Israel e em Jerusalém e receia-se que venham a ocorrer incidentes violentos.

Barghouti, que é considerado como um membro destacado do Tanzim, a ala armada da Fatah, foi detido em Ramallah, em 2002, por comandos israelitas.
Cinco penas de prisão perpétua
Israel acusa-o de orquestrar ataques e atentados suicidas e condenou-o a cinco penas consecutivas de prisão perpétua por homicídio, relativas às mortes de quatro judeus e um monge grego ocorridas durante a segunda intifada.

Apesar disso, Barghouti continua a ser considerado como um potencial sucessor do presidente palestiniano Mahmoud Abbas e a sua voz ainda têm um grande peso junto da população palestiniana.

Tem havido especulações de que Israel poderá optar um dia por decidir libertá-lo, apesar das penas de prisão perpétua a que foi sentenciado.
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