Hong Kong condena líderes de vigílias de Tiananmen a entre 5 e 7 anos de prisão
A justiça de Hong Kong condenou hoje três ativistas que organizavam vigílias em memória de Tiananmen a penas que vão de cinco a mais de sete anos de prisão.
O tribunal de West Kowloon já tinha, no final de agosto, considerado a advogada Chow Hang-tung, 41 anos, e os antigos deputados Lee Cheuk-yan, 69, e Albert Ho, 74, culpados de "incitamento à subversão".
Três juízes aprovados pelo governo condenaram Lee Cheuk-yan e Chow Hang-tung, que se tinham declarado inocentes, a penas de sete anos e sete anos e três meses de prisão, respetivamente. Albert Ho, que se declarou culpado, foi condenado a cinco anos e dois meses de prisão.
A pena máxima para o crime de "incitamento à subversão" é de 10 anos de prisão.
Os mesmos magistrados concluíram em agosto que o trio incentivou intencionalmente os apoiantes da Aliança a esperar pelo momento certo para concretizar o "fim da ditadura de partido único" --- uma das principais reivindicações do grupo - por meios ilegais.
Os juízes disseram que o apelo continha a noção de derrubar ou minar a liderança do Partido Comunista, acrescentando que os arguidos mantêm inimizade contra o partido e não acreditavam genuinamente que as suas palavras e ações não violariam a lei de segurança.
Os três ativistas dirigiam a Aliança de Hong Kong em Apoio aos Movimentos Patrióticos e Democráticos da China, um grupo dissolvido em setembro de 2021, que organizou durante 30 anos vigílias no Parque Victoria, no coração do centro financeiro do território, para recordar publicamente a repressão pelo exército chinês em Pequim dos protestos de junho de 1989.
A Aliança, que também tinha sido considerada culpada em agosto, recebeu ainda uma multa de 1,5 milhões de dólares de Hong Kong (165 mil euros), a ser paga num prazo de três meses.
O cardeal católico romano Joseph Zen - que foi detido com base na lei de segurança nacional em 2022, mas nunca chegou a ser formalmente acusado - estava entre as dezenas de pessoas a assistir à leitura da sentença.
Simon Ng, que costumava participar nas vigílias, disse que sentia que as acusações não eram dirigidas apenas aos arguidos. "Participei nas vigílias da aliança durante décadas; a decisão judicial equivale a uma acusação contra mim", afirmou.
A ONU, organizações de defesa dos direitos humanos e vários Estados denunciaram a condenação dos ativistas, que estão detidos desde que foram acusados formalmente, em 2021, como um atentado à liberdade de expressão.
Em 04 de junho de 1989, tanques militares avançaram na Praça de Tiananmen, no centro de Pequim, contra estudantes em manifestação, abrindo fogo para acabar com protestos pró-democracia.
O evento tornou-se um tabu político na China continental, mas as vigílias em Hong Kong e Macau ajudaram a manter as memórias vivas sob a maior liberdade concedida pelo princípio de governação "um país, dois sistemas".
A vigília organizada pela Aliança foi proibida em 2020, durante a pandemia de covid-19. Após o levantamento das restrições, o antigo local da vigília passou a ser ocupado por um arraial patriótico todos os anos.