Hong Kong detém jornalista político e uma ativista por alegada sedição

Hong Kong detém jornalista político e uma ativista por alegada sedição

A Polícia de Hong Kong deteve na quarta-feira o jornalista político independente Tang Ho-wing e a ativista Lee Ying-chi por alegada sedição, numa operação relacionada com a comemoração, em agosto, dos protestos pró-democracia.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Reuters

A detenção de Tang constitui o primeiro caso conhecido contra um jornalista ao abrigo da Lei de Salvaguarda da Segurança Nacional, aprovada em março de 2024 ao abrigo do controverso artigo 23.º da Lei Básica.

Esta legislação pune a sedição com penas que podem ir até sete anos de prisão e tipifica com severidade crimes como a traição, a insurreição, a espionagem, a revelação de segredos de Estado e a ingerência estrangeira.

O texto complementa a Lei de Segurança Nacional promulgada diretamente por Pequim em 2020, após meses de mobilizações de rua, que prevê penas que podem ir até à prisão perpétua para crimes de secessão, subversão ou conluio com forças estrangeiras.

De acordo com um comunicado da polícia, a intervenção está relacionada com os acontecimentos de 31 de agosto último, em frente à estação de metro de Prince Edward, onde vários cidadãos depositaram flores para recordar uma violenta incursão policial contra manifestantes e passageiros em 2019.

Tang Ho-wing, segundo a polícia, transmitiu em direto a manifestação através da sua plataforma digital, após o que as autoridades acusaram os manifestantes de divulgar "falsidades" para suscitar animosidade institucional.

O cronista, que conta com cerca de 200.000 seguidores nas redes sociais, tem coberto processos judiciais de grande visibilidade em Hong Kong - região administrativa especial vizinha de Macau - como o megaprocesso contra 47 figuras do bloco da oposição ou o julgamento do editor Jimmy Lai.

O espaço informativo de Tang figurou também entre as plataformas independentes sujeitas a inspeções e pagamentos antecipados de impostos, uma manobra que o setor classificou como "punição antes do julgamento".

Por seu lado, Lee Ying-chi, dentista e colaboradora de longa data da Liga dos Social-Democratas, também participou na comemoração de 31 de agosto.

A ativista já tinha figurado entre as primeiras detidas ao abrigo da nova lei de segurança, em maio de 2024, por alegadas mensagens sediciosas nas redes sociais relacionadas com a repressão dos protestos de Tiananmen.

A Associação de Jornalistas de Hong Kong e o Comité para a Proteção dos Jornalistas exigiram a libertação dos detidos e denunciaram que, desde 2020, as autoridades detiveram 416 pessoas e condenaram 186 ao abrigo da legislação de segurança nacional.

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