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Hong Kong. "Homem-aranha francês" pendura bandeira com mensagem de paz
Um alpinista francês, conhecido como o "homem-aranha" por trepar edifícios altos, subiu ao Cheung Kong Center, na manhã desta sexta-feira, para fazer "um apelo urgente" à paz. Alain Robert, de 57 anos, assumiu que está é “uma chamada urgente para o diálogo entre os ´hong-kongers’ e o Governo”.
Sem cordas, arnês ou outro tipo de apoio, Alain Robert subiu novamente, pelo lado de fora, um dos arranha-céus mais altos do mundo.
Depois de escalar os 68 andares do Cheung Kong Center, localizado no distrito financeiro da cidade, o alpinista francês pendurou a 230 metros de altitude, uma bandeira com uma mensagem de "apelo urgente” à paz.
O homem de 57 anos, conhecido por escalar edifícios por todo o mundo, revelou aos jornalistas que tem “a certeza de que há uma maneira de resolver o problema com a China”.
“Não sou maluco”, assegurou Alain Robert ao Sky News, antes de subir. “O que eu estou a fazer pode parecer de doidos, mas eu não sou maluco”, acrescentou.
Numa altura em que a antiga colónia britânica enfrenta a maior crise política das duas últimas décadas, o alpinista francês decidiu criar “uma chamada urgente para o diálogo entre os ‘hong-kongers’ e o Governo”.
“Esta é a minha mensagem, uma mensagem de paz”, revelou.
O “homem-aranha” já chegou a escalar o prédio mais alto do mundo, a torre Burj Khalifa no Dubai. Alain Robert também já subiu às Torres Petronas em Kuala Lumpur, ao edifício Taipei 101, em Taiwan, e o prédio Heron, em Londres.
Trump: Xi Jinping podia resolver questão em 15 minutos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assumiu estar "preocupado" com o risco de uma violenta repressão chinesa em Hong Kong.
“Aposto que se ele [Presidente Xi Jinping] se sentasse à mesa com os manifestantes, com um grupo que os representasse, resolveria a questão em 15 minutos”, afirmou Donald Trump aos jornalistas quando ia a caminho de um comício, em Nova Jérsia.
“Sei que não é o tipo de coisa que ele faz, mas acho que não seria uma má ideia”, admitiu.
Hong Kong a caminho do “abismo"
No entanto, "Pequim ainda não decidiu intervir pela força para reprimir os protestos em Hong Kong, mas esta opção está claramente em cima da mesa", afirmou o jornal do Partido Comunista chinês, Global Times.
O conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, alertou as autoridades chinesas para tratarem deste assunto “cuidadosamente”.
“As pessoas na América ainda se lembram do protesto na Praça da Paz Celestial”, assegurou.
“Seria um grande erro criar uma nova memória como essa, em Hong Kong", referindo-se à repressão de 1989.
O Protesto na Praça da Paz Celestial em 1989, mais conhecido como o Massacre de 4 de junho, consistiu numa série de manifestações lideradas por estudantes contra o Governo local. As autoridades chinesas não divulgaram um balanço oficial, mas estima-se que tenham morrido mais de mil pessoas devido à repressão sangrenta orquestrada pelo exército chinês.
Apesar dos avisos, o Global Times afirmou que caso o exército decida intervir nos confrontos de Hong Kong, o massacre de Tiananmen não se vai repetir.
"O incidente em Hong Kong não será uma repetição do incidente político de 4 de junho de 1989", revelou o jornal chinês. A China "cresceu muito" e aprendeu a lidar com "situações complexas".
Mesmo assim, a Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, acredita que a cidade pode estar a ser "empurrada para um abismo".
Os confrontos da décima semana
Dos avisos com balas de borracha ao lançamento de bombas de gás lacrimogéneo, os confrontos em Hong Kong já caminham para a 11ª semana consecutiva.
As forças militares chinesas continuam sem fazer frente aos manifestantes mais revoltados e nem a polícia de choque os consegue travar.
Este domingo, voaram latas de gás pimenta numa estação de comboio fechada e foram atiradas algumas bombas de gás lacrimogéneo.
“Os confrontos entre os manifestantes e a polícia no fim de semana aumentaram para outro nível, especialmente do lado da polícia”, revelou o diretor da Amnistia Internacional de Hong Kong, Man-kei Tam.
Na segunda e terça-feira, o oitavo aeroporto mais movimentado do mundo foi forçado a fechar portas depois de milhares de manifestantes se apoderarem do terminal de partidas. Ainda assim, os confrontos mais violentos só começaram depois do pôr-do-sol desta terça-feira.
A multidão em protesto começou a ignorar os avisos das forças militares. Protegidos com máscaras de gás, os manifestantes decidiram mudar a estratégia e enfrentar as autoridades.
As esquadras de polícia foram cercadas, as ruas bloqueadas e as avenidas principais paradas em modo “flash-mob”. Um dos manifestantes lançou um “cocktail molotov”, outros atiraram tijolos contra os agentes.
Já a meio da semana, a polícia de choque voltou a entrar em ação. Centenas de manifestantes apontaram lasers a uma esquadra como mais um movimento de protesto. Só dispersaram depois de serem atingidos com mais granadas de gás lacrimogéneo.
O nível de violência aumenta a cada semana. Ainda assim, os protestos continuam sem ter fim.
“O próximo domingo deve ser mais uma marcha de milhões de pessoas. O povo de Hong Kong não pode ser derrotado, os soldados de Hong Kong continuam”, escreveu Claudia Mo, membro do Conselho Legislativo de Hong Kong, no Facebook.
Até agora, o Governo e a polícia de Hong Kong disseram que não têm intenções de envolver o exército nos confrontos.
No entanto, se "Hong Kong não conseguir restaurar o Estado de Direito e as revoltas crescerem, é essencial que o Governo central tome medidas diretas, de acordo com a Lei Básica”, assegurou o jornal oficial do Partido Comunista chinês, Global Times.
A miniconstrução de Hong Kong, conhecida como a Lei Básica, prevê que o Executivo da região semiautónoma possa solicitar a ajuda do exército chinês, disperso por vários quartéis da cidade, para "manter a ordem pública".
Na noite desta quinta-feira, o embaixador chinês no Reino Unido, Liu Xiaoming, lançou o alarme e "apontou armas” aos manifestantes.
Liu Xiaoming acusou os “extremistas” de se apresentarem como ativistas pró-democracia e garantiu que Pequim tem "soluções suficientes e poder suficiente dentro dos limites da Lei Básica para acabar com qualquer agitação", caso considere a situação "incontrolável".
Hong Kong pode estar a atravessar um “momento crítico”, mas o embaixador assume que a China não está preparada para ficar “sentada nas suas mãos e observar”.
Depois de escalar os 68 andares do Cheung Kong Center, localizado no distrito financeiro da cidade, o alpinista francês pendurou a 230 metros de altitude, uma bandeira com uma mensagem de "apelo urgente” à paz.
O homem de 57 anos, conhecido por escalar edifícios por todo o mundo, revelou aos jornalistas que tem “a certeza de que há uma maneira de resolver o problema com a China”.
“Não sou maluco”, assegurou Alain Robert ao Sky News, antes de subir. “O que eu estou a fazer pode parecer de doidos, mas eu não sou maluco”, acrescentou.
Numa altura em que a antiga colónia britânica enfrenta a maior crise política das duas últimas décadas, o alpinista francês decidiu criar “uma chamada urgente para o diálogo entre os ‘hong-kongers’ e o Governo”.
“Esta é a minha mensagem, uma mensagem de paz”, revelou.
O “homem-aranha” já chegou a escalar o prédio mais alto do mundo, a torre Burj Khalifa no Dubai. Alain Robert também já subiu às Torres Petronas em Kuala Lumpur, ao edifício Taipei 101, em Taiwan, e o prédio Heron, em Londres.
Trump: Xi Jinping podia resolver questão em 15 minutos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assumiu estar "preocupado" com o risco de uma violenta repressão chinesa em Hong Kong.
“Aposto que se ele [Presidente Xi Jinping] se sentasse à mesa com os manifestantes, com um grupo que os representasse, resolveria a questão em 15 minutos”, afirmou Donald Trump aos jornalistas quando ia a caminho de um comício, em Nova Jérsia.
“Sei que não é o tipo de coisa que ele faz, mas acho que não seria uma má ideia”, admitiu.
A onda de protestos contra o Governo local, espoletada pelo projeto de revisão da lei de extradição, caminha para o terceiro mês de confrontos.
Os manifestantes já se estão a preparar para mais um fim de semana de comícios e protestos.
“Se o Presidente Xi se reunisse diretamente e pessoalmente com os manifestantes, haveria um final feliz e esclarecido para o problema de Hong Kong. Não tenho dúvidas”, lê-se ainda num tweet do Presidente norte-americano.If President Xi would meet directly and personally with the protesters, there would be a happy and enlightened ending to the Hong Kong problem. I have no doubt! https://t.co/eFxMjgsG1K
— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) 15 de agosto de 2019
Hong Kong a caminho do “abismo"
A concentração de forças militares chinesas em Shenzhen, perto de Hong Kong, pode ser vista como uma "clara advertência" aos manifestantes.
O conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, alertou as autoridades chinesas para tratarem deste assunto “cuidadosamente”.
“As pessoas na América ainda se lembram do protesto na Praça da Paz Celestial”, assegurou.
“Seria um grande erro criar uma nova memória como essa, em Hong Kong", referindo-se à repressão de 1989.
O Protesto na Praça da Paz Celestial em 1989, mais conhecido como o Massacre de 4 de junho, consistiu numa série de manifestações lideradas por estudantes contra o Governo local. As autoridades chinesas não divulgaram um balanço oficial, mas estima-se que tenham morrido mais de mil pessoas devido à repressão sangrenta orquestrada pelo exército chinês.
Apesar dos avisos, o Global Times afirmou que caso o exército decida intervir nos confrontos de Hong Kong, o massacre de Tiananmen não se vai repetir.
"O incidente em Hong Kong não será uma repetição do incidente político de 4 de junho de 1989", revelou o jornal chinês. A China "cresceu muito" e aprendeu a lidar com "situações complexas".
Mesmo assim, a Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, acredita que a cidade pode estar a ser "empurrada para um abismo".
Os confrontos da décima semana
Dos avisos com balas de borracha ao lançamento de bombas de gás lacrimogéneo, os confrontos em Hong Kong já caminham para a 11ª semana consecutiva.
As forças militares chinesas continuam sem fazer frente aos manifestantes mais revoltados e nem a polícia de choque os consegue travar.
Este domingo, voaram latas de gás pimenta numa estação de comboio fechada e foram atiradas algumas bombas de gás lacrimogéneo.
“Os confrontos entre os manifestantes e a polícia no fim de semana aumentaram para outro nível, especialmente do lado da polícia”, revelou o diretor da Amnistia Internacional de Hong Kong, Man-kei Tam.
Na segunda e terça-feira, o oitavo aeroporto mais movimentado do mundo foi forçado a fechar portas depois de milhares de manifestantes se apoderarem do terminal de partidas. Ainda assim, os confrontos mais violentos só começaram depois do pôr-do-sol desta terça-feira.
A multidão em protesto começou a ignorar os avisos das forças militares. Protegidos com máscaras de gás, os manifestantes decidiram mudar a estratégia e enfrentar as autoridades.
As esquadras de polícia foram cercadas, as ruas bloqueadas e as avenidas principais paradas em modo “flash-mob”. Um dos manifestantes lançou um “cocktail molotov”, outros atiraram tijolos contra os agentes.
Já a meio da semana, a polícia de choque voltou a entrar em ação. Centenas de manifestantes apontaram lasers a uma esquadra como mais um movimento de protesto. Só dispersaram depois de serem atingidos com mais granadas de gás lacrimogéneo.
O nível de violência aumenta a cada semana. Ainda assim, os protestos continuam sem ter fim.
“O próximo domingo deve ser mais uma marcha de milhões de pessoas. O povo de Hong Kong não pode ser derrotado, os soldados de Hong Kong continuam”, escreveu Claudia Mo, membro do Conselho Legislativo de Hong Kong, no Facebook.
Até agora, o Governo e a polícia de Hong Kong disseram que não têm intenções de envolver o exército nos confrontos.
No entanto, se "Hong Kong não conseguir restaurar o Estado de Direito e as revoltas crescerem, é essencial que o Governo central tome medidas diretas, de acordo com a Lei Básica”, assegurou o jornal oficial do Partido Comunista chinês, Global Times.
A miniconstrução de Hong Kong, conhecida como a Lei Básica, prevê que o Executivo da região semiautónoma possa solicitar a ajuda do exército chinês, disperso por vários quartéis da cidade, para "manter a ordem pública".
Na noite desta quinta-feira, o embaixador chinês no Reino Unido, Liu Xiaoming, lançou o alarme e "apontou armas” aos manifestantes.
Liu Xiaoming acusou os “extremistas” de se apresentarem como ativistas pró-democracia e garantiu que Pequim tem "soluções suficientes e poder suficiente dentro dos limites da Lei Básica para acabar com qualquer agitação", caso considere a situação "incontrolável".
Hong Kong pode estar a atravessar um “momento crítico”, mas o embaixador assume que a China não está preparada para ficar “sentada nas suas mãos e observar”.