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Hong Kong vai restringir direitos de detidos em nome da segurança nacional

Hong Kong vai restringir direitos de detidos em nome da segurança nacional

As autoridades de Hong Kong apresentaram novas regras prisionais que podem limitar o direito dos detidos de receberem visitas de determinadas pessoas, como advogados, numa mudança motivada por "riscos para a segurança nacional", informou a imprensa no território.

Lusa /
Os detidos em Hong Kong vão ter os seus direitos restringidos Tyrone Siu - Reuters

A população prisional da região chinesa disparou nos últimos anos, depois de as autoridades terem detido mais de dez mil pessoas relacionadas com os protestos pró-democracia em 2019.

Um ano depois, Pequim impôs a Hong Kong uma lei da segurança nacional e, em 2024, o território elaborou a própria legislação para a segurança.

"Os riscos para a segurança nacional persistem. É necessário alterar (as regras prisionais) o mais rapidamente possível", escreveram as autoridades de Hong Kong na proposta apresentada na quinta-feira no Conselho Legislativo, o parlamento local, de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP).

O atual sistema de visitas tem sido utilizado para incitar os detidos à resistência, declararam as autoridades.

A proposta de lei prevê a proibição da visita de certos advogados, restrições idênticas às que estão em vigor nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Austrália, assinalou o Executivo de Hong Kong.

As regras propostas exigem, porém, que os agentes prisionais solicitem mandados judiciais para poderem restringir as visitas a detidos por parte de advogados e médicos específicos, com base na salvaguarda da segurança nacional, escreveu o jornal local South China Morning Post (SCMP).

As autoridades afirmaram, porém, que os reclusos continuam a ter acesso a consultoria jurídica confidencial e a receber outros advogados e médicos por si escolhidos, ao abrigo das novas alterações. Os reclusos podem, além disso, interpor recurso contra o mandado, escreveu o SCMP.

O texto proposto, ainda de acordo com a comunicação social, prevê também a supressão do direito a "roupa pessoal" e a uma dieta alimentar específica.

Hong Kong, com cerca de 7,5 milhões de habitantes, tinha, em março, mais de dez mil pessoas detidas, das quais 3.900 em prisão preventiva.

 

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