Depois da descoberta e da exploração de terras novas, protagonizada entre os séculos XV e XVII, a procura do desconhecido e"quase" inatingível não se ficou por esse marco da história da humanidade.
O homem olha agora para cima e é no espaço que dá os próximos passos. Se a ambição em 1969 foi a Lua, em 2026 a meta está já traçada: Marte.
A exploração espacial (com privados)
A conquista pelo espaço começou com Yuri Gagarin, quando a 12 de abril de 1961 este cosmonauta se colocou dentro de um foguete metálico, saiu da gravidade pesada da Terra e voou pela primeira vez até à órbita terrestre. Um feito que depois veio a ser replicado a 5 de maio de 1961 pelo astronauta norte-americano Alan Shepard.
Tinha começado a "segunda época dos descobrimentos".
Depois destes dois eventos, o espaço deixou de ser uma fronteira inacessível, ainda assim perigosa e com a necessidade de muita vontade politica e económica. E é precisamente a vertente económica que coloca alguns travões a esta nova aventura humana. Pois se, para uns, basta a fama, para os políticos, que são também financiadores, tem de haver "benefícios monetários".
Ora os "lucros" obtidos por estas viagens revelaram-se muito escassos ou insignificantes.
A Lua, além de saber quem lá chegava primeiro, não revelou ter grande interesse "mineral" e as experiências científicas em órbita também pouco acrescentam a quem deseja um pouco mais.
Creditos: NASA/DR
Continuar a subir lá acima continua a ser uma etapa muito cobiçada. São cada vez mais os privados que procuram ter uma palavra nesta área. Até porque muita da investigação e construção de tecnologia está já nas mãos destes.
Os primeiros passos foram dados quando, na tentativa de arranjar financiamento, as agências espaciais norte-americanas e russas aceitaram ter os primeiros turistas nos espaço.
Durante o período entre 2001 a 2009, foram sete os turistas espaciais a realizar estas viagens de sonho. Viagens curtas, mas que rondavam entre os 25 e os 30 milhões de euros.
Um nicho de mercado lucrativo, que os russos e os americanos não continuaram devido à lotação da Estação Espacial, e para o qual algumas empresas começaram a olhar com uma boa oportunidade de negócio.
As ofertas são agora cada vez mais, com a promessa de construção de hotéis espaciais (
Blue Origin), voos suborbitais (
Virgin Galactic) e viagens até à Lua, promovidas pela
SpaceX, até à Lua em 2024 e 2026 até Marte.
AQUI: Mais de uma centena de lançamentos em 2020
Construir e lançar um foguete para o espaço está cada vez a ser mais rápido e "barato". Prova disso mesmo são os 108 lançamentos, dos 120 programados até ao final de 2020.
Estados Unidos, China, Rússia, Europa, Irão, India e Israel, são atualmente os sete países com capacidade, neste momento, para colocar em prática um lançamento aeroespacial.
Entre estes, os mais produtores e eficazes nesta área são os Estados Unidos, China, com um total de 80 lançamentos, ou seja quase 75 por cento dos voos realizados.
Creditos: RTP
E se pensarmos que até á bem pouco tempo esta corrida espacial estava apenas bipolarizada entre russos e americanos, a entrada da China nesta área está a revolucionar toda esta indústria ultrapassando em mais de o dobro o número de lançamentos efectuados (China 37 vs Rússia 15).
Mas este número pode não ficar por aqui, até ao final deste ano a China tem previsto no seu calendário espacial mais nove lançamentos.
A maioria dos lançamentos realizados este ano foram voos não tripulados e com cargas cientificas ou comerciais, com exceção da Rússia e dois norte-americanos (SpaceX) que realizaram, este ano, alguns voos tripulados com destino à Estação Internacional Espacial.
Americanos enviam astronautas com bandeira USA, mas privada
Com o desmantelamento das missões STS -
Space Shuttle - da
NASA, em julho de 2011, os norte americanos ficaram privados de veículos que os transportassem até à Estação Espacial Internacional.
Um problema que os russos viram como uma "excelente oportunidade", obrigando o arqui-inimigo e concorrente a ter de viajar à boleia deles, no velhinho mas funcional foguete Soyus.
Mas este sistema não estava a ser visto com bons olhos para o congresso norte-americano e muito menos lucrativo, para quem tinha uma agência espacial como a NASA. Pois bem feitas as contas cada astronauta a viajar a bordo da Soyus e foram muitos custou aos cofres americanos cerca de 90 milhões de euros.
Um valor que começou a pesar na carteira e que os privados (americanos) podiam combater.
Foi neste contexto que a NASA decidiu abrir as portas ao mercado privado interno e realizar vários contratos com empresas com capacidade de produzirem veículos espaciais.
Entre as várias candidatas a NASA aceitou negociar com a
Boing, com
Blue Origin e com a
SpaceX.
Das três empresas é a SpaceX que está na dianteira, conseguido já ter colocado seis astronautas a bordo da EEI, em dois voos realizados num novo veiculo baptizado de Dragon II.
Creditos: Roscomos/SpaceX/DR
E se o sucesso é já uma realidade, os contribuintes para este modelo privado, também tem razão para estarem satisfeitos, pois se os russos pediam quase 90 milhões de euros por um dos três lugares na apertada e desconfortável Soyus, a SpaceX oferece uma capsula com capacidade até sete lugares, até agora ocupada apenas por quatro tripulantes, pela módica quantia de 25 milhões de euros/cada.
Ou seja, cada viagem com quatro ocupantes, custa quase o mesmo de um.
Quanto às outras parcerias. Além de vários atrasos os valores não estão a abonar muito a concorrência da empresa de Elon Musk.
Estrela vermelha cada vez mais presente no espaço
Todos nós já conhecemos o que os chineses nos têm para oferecer. Lojas com vários artigos de confecção, artesanato e muitas ferramentas.
Utensílios com preços razoáveis, que nos satisfazem as necessidades mais prioritárias e com uma duração minimamente satisfatória.
Mas os chineses não querem conquistar apenas o mercado através das suas lojas e compra de empresas âncora nacionais.
A ambição passa também pelo espaço e com resultados muito positivos.
Nos últimos anos, a China, através da
agência espacial chinesa CSNA, já colocou no espaço vários astronautas sob a sua bandeira, instalou, embora ainda em fase experimental uma estação espacial tripulada e agora está a apostar fortemente na Lua, com o envio de várias sondas robóticas na exploração do satélite natural terrestre.
Créditos: CNSA/DR
Prova desse sucesso é a missão, que atualmente decorre, da Chang’e 5 que foi até à face oculta da Lua recolher rególitos lunar e regressar à Terra.
Créditos: CNSA/DR
Uma missão que visa a breve prazo instalar chineses na Lua, bem como a construção num futuro próximo de uma base lunar.
Testes, testes e mais testes
Foi também durante o ano de 2020 que as várias empresas privadas, que a NASA está a financiar, mostraram e revelaram as suas evoluções e potencialidades.
A mais mediática é a SpaceX com a realização de vários testes com protótipos, da futura Spaceship , que pretende levar homens à Lua e Marte nos próximos seis anos.
Exemplo destes testes foi o lançamento bem sucedido da SN8, um protótipo simples da Starship e que no regresso controlado ao local de aterragem explodiu devido á falta de combustível, de acordo com os técnicos da empresa de Elon Musk.
Ainda assim este teste foi visto como muito positivo na analise de futuros lançamentos e testes neste modelo vanguardista.
Experiencias que até agora tem demonstrado completa fiabilidade e que a empresa em breve espera ver a ser utilizada na pratica comercial e transporte de tripulação até à futura estação espacial privada Axiom.
A Blue origin também fez chegar recentemente o modelo em escala real do futuro modulo lunar que a NASA vai utilizar na missão Artemis, em 2024, com destino à Lua.
Créditos: Blue Origin/DR
Já o modelo da Boing, a capsula tripulada Starliner, continua a dar problemas aos seus promotores.
A Boeing refere que já concluiu 75 por cento das 80 ações corretivas que a NASA e a Boeing identificaram, depois de investigar os problemas na missão de teste no final do ano passado.
No início deste ano, a Boeing disse que iria repetir o voo de teste , no qual a Starliner deveria ter voado para a Estação Espacial Internacional sem astronautas.
Esse voo estava programado para dezembro, mas tudo indica que ainda não será em 2020 que a Capsula Starliner vai volta ao espaço.
Créditos: Boing/DR
Testes que representam os avanços e recuos neste campo e que demonstram a capacidade humana de voar mais longe.
Missão: Conhecer melhor o que anda lá por cima
O ano de 2020 na área das descobertas espaciais e exo planetárias também foi proveitoso.
Prova disso é a lista dos 181 exoplanetas encontrados só este ano pelos vários programas espaciais e astrofísicos. Sendo que a maioria foi dentro do
programa Kepler da NASA.
Mas não procuramos olhar só com maior profundidade. Missões existem, como a Hayabusa II da agência japonesa
JAXA, que foram mais longe e trouxeram até nós, agora em dezembro, material sólido recolhido de um asteróide (Ryugu).
Um admirável mundo novo que ainda agora está a dar os primeiros passos na construção da história do homem no vasto e “interminável” universo.