HRW classifica como "cruel e injusta" condenação do ativista de Hong Kong Joshua Wong
A organização Human Rights Watch (HRW) classificou como "cruel e injusta" a condenação hoje do ativista Joshua Wong a uma pena de dez anos de prisão por conspiração para conluio com forças estrangeiras.
"A severa condenação imposta a Joshua Wong com base em acusações infundadas é cruel e injusta. Os jovens que promovem a mudança social são um trunfo para qualquer sociedade, mas o Governo de Hong Kong prende-os", denunciou a diretora para a Ásia da HRW, Elaine Pearson, numa reação à segunda condenação do ativista ao abrigo da Lei de Segurança Nacional imposta por Pequim em 2020.
A organização não-governamental (ONG) apelou ao Executivo de Hong Kong para que proceda à libertação "imediata e incondicional" de Joshua Wong e instou os governos estrangeiros a condenarem as sentenças proferidas contra este e outros ativistas pró-democracia, bem como a imporem sanções seletivas aos funcionários responsáveis pela repressão.
"Pequim não pagou um preço real pela crescente repressão em Hong Kong", afirmou Pearson, que apelou ainda à comunidade internacional para que reveja a relação com a China "à luz dos abusos cada vez mais graves".
Segundo a organização, as autoridades "parecem ter adotado a tática de acumular acusações contra líderes influentes a favor da democracia para garantir a sua detenção prolongada", com o objetivo de manter a sociedade de Hong Kong "sob controlo e reduzir a possibilidade de um protesto internacional".
A reação da HRW surge depois de o Tribunal Superior de Hong Kong ter condenado Joshua Wong por ter pedido a países estrangeiros que impusessem sanções e outras medidas contra a região administrativa especial ou contra a China em 2020, na sequência dos protestos antigovernamentais em massa que abalaram a cidade em 2019.
Com esta nova condenação, o ativista permanecerá, em princípio, atrás das grades até ao final de 2036, uma vez que terá cumprido, em janeiro, uma pena anterior de quatro anos e oito meses de prisão por conspiração para subverter o poder estatal no caso que ficou conhecido como o dos "47 de Hong Kong", relacionado com as primárias não oficiais organizadas pela oposição em julho de 2020.
As autoridades defendem que a legislação restaurou a estabilidade em Hong Kong após os protestos de 2019, enquanto organizações de direitos humanos e governos estrangeiros têm criticado o seu impacto sobre as liberdades políticas e civis.
Wong foi acusado em 2025 de conspiração para atuar em conluio com forças estrangeiras com o objetivo de pôr em risco a segurança nacional, ao abrigo da referida lei, imposta por Pequim.
Em setembro, declarou-se culpado do crime, uma medida que normalmente pode reduzir a pena.
"O tribunal (...) proferiu uma sentença definitiva de dez anos de prisão" contra Joshua Wong, indica-se num comunicado de imprensa publicado pelo tribunal.
De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), o juiz William Tam afirmou, durante a audiência, que o crime de Wong era de natureza grave e rejeitou a alegação de que o papel do jovem tivesse sido limitado. Afirmou ainda que considerou uma pena de prisão de 13 anos como ponto de partida, mas que a reduziu devido à confissão de culpa de Wong.
Joshua Wong arriscava, no máximo, prisão perpétua pela acusação, enquanto a defesa pedia uma pena de três a 10 anos.
O juiz afirmou ainda que Wong pode cumprir as duas penas de prisão em simultâneo, restando-lhe cerca de dois meses da pena relativa à anterior condenação.