Huawei lança smartphone sem Google

O próximo smartphone da empresa de tecnologia Huawei pode não ter acesso às aplicações mais populares do Google, como o Maps e o YouTube. A segunda maior fabricante do mundo deverá lançar o novo modelo, o Mate 30, a 18 de setembro, em Munique.

RTP /
Vincent Pang, Presidente da Huawei na Europa Ocidental Reuters - Jason Lee

As restrições aplicadas pelo Governo de Donald Trump, em maio deste ano, ditaram o futuro da Huawei.

A empresa deixou de ter autorização para utilizar os serviços da gigante Google nos novos dispositivos tecnológicos e o acesso ao sistema Android também ficou restringido.

Esta medida implica que as novidades da marca, nomeadamente o Mate 30, não incluam as aplicações mais utilizadas pelos consumidores como a Play Store, Gmail, Google Maps, Youtube, entre outros.

De acordo com um porta-voz da Google, este dispositivo vai ser o primeiro smartphone a ser apresentado pela marca na sequência da proibição de vendas aplicada pelo Governo norte-americano.

Na opinião do analista Richard Windsor, “sem os serviços da Google, ninguém vai comprar este telemóvel”.

Ainda assim, a Huawei não desiste de apresentar o novo produto a 18 de setembro, em Munique, revelou uma fonte próxima da marca à Reuters.

Os especialistas acreditam que o lançamento sem os aplicativos da Google pode vir a ser um flop para a Huawei.
E agora?

Qualquer pessoa que já comprou ou está prestes a comprar um smartphone da Huawei pode continuar a aceder ao mundo dos aplicativos como sempre fez", assegurou a empresa.

A proibição dos Estados Unidos – alargada recentemente pelo Departamento de Comércio por mais 90 dias – afeta apenas os novos dispositivos. Por isso, ainda não há razão para alarmismos. Ainda assim, a marca já está a pensar numa forma de contornar a situação.

No início deste mês, a empresa chinesa anunciou o próprio sistema operacional móvel, o HarmonyOS. No entanto, os especialistas estão céticos sobre se esta será uma alternativa viável ao Android.

Os nossos telemóveis vão continuar a basear-se na Android”, afirmou o presidente da marca chinesa na europa ocidental, Vincent Pang.

“Nós queremos manter um padrão, um ecossistema, uma tecnologia”, acrescentou.

A empresa já referiu que consegue adaptar o HarmonyOS numa questão de dias. Contudo, a marca está dependente da decisão do Governo norte-americano.

A Huawei vai continuar a utilizar o sistema operacional Android e o seu ecossistema, se o Governo dos Estados Unidos permitir que o façamos”, explicou o porta-voz da empresa, Joe Kelly, à Reuters.

“Caso contrário, continuaremos a desenvolver o nosso próprio sistema operacional e ecossistema”, assegurou.
Huawei na lista negra dos Estados Unidos
A empresa de tecnologia chinesa, sediada na cidade de Shenzhen, continua a ser vista como uma marca “non grata” aos olhos dos norte-americanos.

No entanto, no final de julho, o Presidente Donald Trump decidiu amenizar as águas e estabelecer um pequeno acordo comercial. As empresas norte-americanas já podem tentar negociar com a Huawei desde que solicitem ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos uma licença com isenção específica à proibição implementada pelo Governo.

Este requerimento passou a ser a única opção viável, todavia pode não servir de nada. Como a análise feita por parte do Departamento de Comércio passa pelo princípio de “presunção de negação”, as probabilidades de a proposta ser rejeitada aumentam drasticamente.

De acordo com agência Reuters, mais de 130 empresas norte-americanas efetuaram o pedido, mas, até agora, nenhum foi aprovado.

A proibição dos Estados Unidos imposta à marca afetou as vendas fora da China, principalmente no mercado europeu. Os dados revelados pela Counterpoint Research mostraram uma queda de 5,6 pontos percentuais do primeiro para o segundo trimestre deste ano.
Confronto de titãs
Uma disputa comercial entre as duas maiores potências económicas do mundo colocou, frente-a-frente, a China e os Estados Unidos.

Os Estados Unidos moveram a primeira peça do jogo, a 18 de agosto de 2017, ao submeter a China a uma extensa investigação baseada na Seção 301 da Lei do Comércio de 1974. As suspeitas de práticas comerciais desleais, por parte da China, foram mais tarde comprovadas.

No ano seguinte, mais precisamente no dia 22 de março, deu-se efetivamente início ao confronto entres estes titãs. Enquanto Donald Trump impunha tarifas no valor de 50 mil milhões de dólares, o Ministério do Comércio da China ripostava com novas taxas, no valor de três mil milhões de dólares, sobre 128 produtos norte-americanos.

Três meses depois, a batata quente continuava a saltar entre as mãos destes Governos até que o Presidente norte-americano decidiu voltar a bater o pé.

A 15 de junho do ano passado, os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa de 25 por cento, também no valor de 50 mil milhões de dólares, sobre as importações chinesas. A medida entrou em vigor três semanas depois, no mesmo dia em que a China decidiu ativar taxas retaliatórias com o mesmo valor.

A troca de ameaças constante foi-se agravando com o tempo. À medida que os Estados Unidos apresentavam a lista de produtos chineses sujeitos a serem taxados, a China contestava a decisão com outras tarifas adicionais sobre as importações norte-americanas.

Contudo, o despique não ficou por aqui. Em maio deste ano, Donald Trump voltou a anunciar mais um aumento nas tarifas e elevou esta guerra comercial a um nível impensável. Um acréscimo de 15 pontos percentuais nas taxas aplicadas – anteriormente estagnadas nos dez por cento – no valor de 200 mil milhões de dólares em produtos vindos da China, elevou a fasquia.

No entanto, o confronto destas duas grandes potências mundiais não se cinge apenas ao poderio comercial, mas sim a uma corrida infinita para a conquista do controle tecnológico, a nível mundial.

A tensão entre os Estados Unidos e a China ganhou um tom mais sério assim que o Presidente norte-americano decidiu impedir qualquer tipo de negociação com a empresa tecnológica Huawei.

Acusada de estar a trabalhar com o Governo chinês para espiar os cidadãos de outros países, a maior fornecedora de equipamentos para redes e telecomunicações de todo o mundo passou a representar uma grande “ameaça à segurança nacional [norte-americana]”.

A Huawei, responsável por providenciar a quinta geração de rede móvel, 5G, também foi acusada de ter violado as sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos ao fazer negócios com o Irão.

Os detalhes dessa decisão nunca chegaram a ser divulgados. Porém, isso não impediu Donald Trump de colocar esta entidade na lista negra de alvos a abater.

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