Hugo Chavez desvenda “a verdadeira face” de Simon Bolivar

O presidente da Venezuela, celebrou os 229 anos do nascimento de Simon Bolivar, mostrando um retrato obtido através de uma reconstituição computorizada dos ossos do crânio do herói independentista sul-americano. A imagem que Hugo Chavez mostrou ao mundo, mostra um Bolívar bastante parecido com os retratos da sua época (1783-1830), de nariz grande e sobrancelhas espessas, que encimam uma face impassível . Quanto às causas da morte de Bolivar, que Hugo Chavez sustenta ter sido alvo de envenenamento, nada ficou provado nas análises feitas aos restos mortais.

RTP /
Chavez mostrou ao mundo o que diz ser a verdadeira face do herói sul-americano Simon Bolivar David Fernandez, EPA

“Viva Bolívar! Aqui está a sua face!”, exclamou Hugo Chavez ao desvendar o retrato com mais de um metro de altura numa cerimónia organizada terça-feira no palácio presidencial em Caracas.

“A partir de hoje o teu rosto verdadeiro resgatado pelas mãos amorosas das tuas filhas cientistas e dos teus filhos cientistas brilhará muito mais porque já sabemos com precisão e recebemos com intensidade infinita a luminosa presença do teu olhar”, disse o presidente venezuelano
Reconstituição computorizada utilizou TAC do crânio de Bolivar
A antropóloga forense Lourdes Perez, que chefiou os esforços de reconstituição, explicou os dois anos de trabalhos foram levados a cabo com equipamento de ponta, incluindo uma tomografia axial computorizada do crânio de Bolivar.

Segundo Lourdes Perez, a reconstituição determinou “de um ponto de vista científico” a verdadeira face do libertador, “sustentada em parâmetros ontogénicos gerais e particulares, baseados na revisão das características morfológicas presentes nos ossos da cara”, do opositor do colonialismo espanhol nascido na Venezuela.

A antropóloga forense explicou que a imagem foi obtida com uma técnica craniométrica que exclui “erros subjetivos” e que para a reconstituição dos tecidos faciais foram utilizadas tabelas internacionais e nacionais adaptadas ao contexto étnico populacional da Venezuela.

Os restos de Simon Bolivar foram exumados do panteão nacional da Venezuela em julho de 2010, a fim de provar a autenticidade dos mesmos, determinar as causas da morte ocorrida em 1830 e determinar qual a melhor forma de os preservar.
Chavez sustenta  tese do envenenamento de Bolivar
Hugo Chavez, que depois da sua subida ao poder em 1999 mudou o nome do país para República Bolivariana da Venezuela, levantou a suspeita de que o herói nacional tinha sido envenenado e pôs em dúvida a versão oficial que indica que morreu de tuberculose na cidade colombiana de Santa Marta.

A análise científica aos restos, permitiu confirmar que eram os de Bolivar mas não determinou com exatidão as causas da morte.

A médica forense Yanuacelis Cruz explicou que ficou provado que Bolívar sofria de uma enfermidade respiratória, embora as provas que se fizeram para detetar vários vírus tenham resultado negativas.

Segundo a médica, resta agora esperar pelos resultados da análise à presença do fungo Histoplasma capsulatum, que causa a histoplasmose e pode provocar um quadro “ semelhante ao da tuberculose” .
Tratamento "venenoso" pode ter morto o Libertador das Américas
Cruz explicou que Bolivar foi medicado com veneno da cantárida, “que é um veneno potente mas era o tratamento que havia na época [para a tuberculose], o que, a longo prazo e juntamente com as complicações da doença, lhe causaram um edema cerebral que lhe provocou a morte”.

Face aos resultados inconclusivos, Hugo Chavez continua a sustentar a tese do envenenamento. O presidente venezuelano afirmou que o inquérito às causas da morte do herói segue o seu curso, mas que já se provou “que não havia nenhum sinal de tuberculose” nos restos de Bolivar.

Desde dezembro de 2011 que os restos mortais de Simon Bolivar repousam numa urna transparente, que permitirá futuras observações, instalada num caixão de acaju, ornado de pérolas, diamantes e ouro venezuelanos.

Esse caixão vai ser desposto num novo mausoléu encomendado pelo governo e que Hugo Chavez também apresentou terça-feira na televisão, antes da inauguração nos próximos dias.
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