Hugo Chávez diz que socialismo venezuelano não prevê eliminar a propriedade privada

Caracas, 05 out (Lusa) - O presidente Hugo Chávez disse quinta-feira que depois de reeleito domingo, reforçará o esforço de diálogo com os vários setores do país que chamou a construir o socialismo sublinhando que não prevê eliminar a propriedade privada na Venezuela.

Lusa /

"Eu nunca vou arriar as bandeiras do socialismo, não tenho nenhum catecismo socialista, ninguém o tem. Fidel (Castro) disse uma vez que um dos erros que cometeu quando começou a revolução cubana foi ter acreditado que alguém sabia como se constrói o socialismo", disse.

O apelo do presidente venezuelano teve lugar durante um programa especial transmitido pelo canal estatal de televisão, no âmbito das eleições presidenciais venezuelanos.

Destacou que retomará "com maior energia o esforço" para convidar os vários setores do país "que têm dúvidas na construção do socialismo no quadro da Constituição bolivariana".

Por outro lado, disse, não está prevista a eliminação da propriedade privada "nem a grande nem a pequena".

"Agora aquela (que é) improdutiva, os que abandonaram a fábrica, que não cumprem as leis, que não pagam impostos, que contrabandeiam, isso é outra coisa", frisou.

Explicou que a classe média, os profissionais, técnicos, agricultores "fazem falta para construir um socialismo produtivo" que "estava como morto e renasceu na Venezuela".

Na entrevista Hugo Chávez disse que "todo o país, até os ricos" perderiam no caso da Venezuela seja vítima da aplicação de um pacote neoliberal por um governo de direita.

"Os ricos deveriam votar em Chávez se se dessem conta da verdade, porque alguns andam um pouco perdidos. As classes médias deveriam votar em Chávez, porque somos garantia de estabilidade, de paz, de desenvolvimento nacional", disse.

O presidente admitiu, contudo, erros no seu governo, mas salientou ser humano errar e reconhecer os erros enfatizando que "é obrigatório para um projeto político e uma liderança fazer tudo o possível para retificar".

No próximo Governo, Hugo Chávez irá substituir o Ministério da Secretaria da Presidência por um novo Ministério de Acompanhamento, para dar seguimento às decisões tomadas pelo presidente, porque o acompanhamento é uma das falhas mais graves do seu governo, sobretudo na atribuição de recursos e políticas públicas.

Na intervenção denunciou uma operação mediática de manipulação no país e acusou o candidato da oposição, Henrique Capriles Radonski, que considera um burguês, de ter uma campanha inédita, em que "renega as suas origens de classe, as suas ligações políticas mais fortes e o seu verdadeiro projeto, tratando de conseguir votos entre os pobres".

Hugo Chávez apelou ainda aos venezuelanos para que votem pacificamente e garantiu que não haverá fraude eleitoral.

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