Hugo Chávez investiga morte de Simón Bolívar para reescrever a História
Caracas, 18 Dez (Lusa) - O Presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou na segunda-feira que iniciou uma investigação sobre as causas da morte de Simón Bolívar, porque entender que estão rodeadas de "escuras circunstâncias" e, a comprovar-se, haverá que reescrever a História.
"As oligarquias enganaram-nos, os historiadores oficiais que escreveram a História a falsificaram-a, torceram-na à justa medida dos interesses das oligarquias `bogotanas` (de Bogotá) e caraquenhas que se apoderaram do poder", disse Hugo Chávez.
Nascido em Caracas, Simón Bolívar foi um importante militar e político venezuelano (1783 - 1830). Destacou-se na emancipação sul-americana frente ao império espanhol, ao impulsionar a independência de Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela, tendo recebido o título de "El Libertador" pelas autoridades de Mérida (Venezuela) em 1825.
Segundo Hugo Chávez, as circunstâncias que envolveram a morte de Simón Bolívar são pouco conhecidas porque "negaram-nos o conhecimento e só os curiosos, leitores empedernidos que procuramos algumas luzes, nos vamos inteirando de acontecimentos, dos mares profundos, de escuras circunstâncias que rodearam factos como este", disse.
Hugo Chávez falava no Panteão Nacional, durante as cerimónias evocativas dos 177 anos da morte do Libertador Simón Bolívar, que duraram mais de cinco horas e foram transmitidas obrigatoriamente e em simultâneo pelas rádios e televisões do país.
"Passarão (mais) 100 anos e as oligarquias não poderão apagar o ódio tão grande que lhe tiveram, que lhe têm e terão a Bolívar. É tão grande esse ódio como o amor dos nossos povos (por ele)", frisou.
Segundo o Presidente venezuelano, a 17 de Setembro de 1830, três meses antes de falecer, supostamente vítima de tuberculose, Simón Bolívar, dava instruções, enviava e respondia cartas, e realizava actividades que muito poucos doentes podem fazer.
Durante a sua intervenção, Hugo Chávez manifestou ainda, várias vezes, ter dúvidas quanto à veracidade de que os restos mortais que estão no Panteão Nacional, são de Simón Bolívar.
Segundo a História, Simón Bolívar faleceu às 13:03 horas (de Colômbia) do dia 17 de Dezembro de 1830, com 47 anos de idade. Os restos foram sepultados no altar maior da Catedral Basílica de Santa Marta onde permaneceram até Dezembro de 1842, altura em que foram transladados a Venezuela.
Permaneceram durante décadas na Cripta da Santíssima Trindade da Catedral de Caracas, lugar frequentado pela família Bolivar e onde estão as cinzas dos pais do Libertador.
A 28 de Outubro de 1876, os restos de Simón Bolívar foram transportados para o Panteão Nacional, edificado um ano antes no terreno onde se encontrava a Igreja da Santíssima Trindade, destruída pelo terramoto de 1812.
FPG.
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