Human Rights Watch denuncia ataque no Burkina Faso que matou uma centena de civis

A Human Rights Watch (HRW) acusou hoje o governo do Burkina Faso de expor desnecessariamente civis ao risco de ataques jihadistas, após o massacre que vitimou pelo menos uma centena de pessoas no norte do país em agosto.

Lusa /

Este assassinato, perpetrado em 24 de agosto em Barsalogho e reivindicado pelo Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (GSIM, ligado à Al-Qaeda), é o mais sangrento registado na história do país.

"Um grupo armado islâmico massacrou pelo menos 133 pessoas na cidade de Barsalogho (...) em grande parte civis forçados pelos militares a cavar uma trincheira para proteger esta cidade onde está localizada uma base militar", descreve a HRW num relatório agora divulgado.

Este número foi apurado por esta organização não-governamental "graças à análise de vídeos e testemunhos".

"[Inclui] dezenas de crianças", refere a HRW, somando aos dados pelo menos 200 feridos.

Nenhum número foi comunicado pelas autoridades burquinenses, mas a Justiça Coletiva de Barsalogho (CJB), composta por familiares das vítimas, reportou mais de 400 mortes.

"Este massacre é o exemplo mais recente de atrocidades cometidas por grupos islâmicos armados contra civis que o governo expôs a riscos desnecessários", denuncia a HRW.

Contactado pela HRW, o Ministério da Justiça respondeu que os testemunhos de trabalho forçado "não estão provados" e mencionou a abertura de uma investigação pelo Tribunal Superior de Kaya.

Sobreviventes e testemunhas disseram à HRW que os soldados espancaram e forçaram homens a deixar a cidade para cavar uma trincheira de defesa, sem lhes pagar.

"Vieram para nos exterminar. Não pouparam ninguém. Chegaram de moto, dois em cada. Atiraram sem parar, as pessoas caíam como moscas", disse um sobrevivente que perdeu cinco familiares no ataque.

A violência jihadista causou mais de 26 mil mortes no Burkina desde 2015, civis e soldados, incluindo mais de 13.500 desde o golpe de 2022, segundo a ONG Acled.

 

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