Humanidade está mais perto do que nunca da destruição por causas políticas
A Humanidade está mais perto do que nunca da sua destruição, com EUA, China e Federação Russa e outros Estados a tornarem-se "cada vez mais agressivos, adversários e nacionalistas", alertou um grupo de cientistas.
Em consequência, o icónico Relógio do Juízo Final (`Doomsday Clock`), divulgado na terça-feira pelo Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atómicos) reduziu para 85 segundos o período de tempo simbólico que falta para a meia-noite, o fim do tempo.
Os autores da iniciativa justificaram a sua decisão com o risco de guerra nuclear, a rutura climática global, o potencial mau uso da biotecnologia e o uso crescente da inteligência artificial sem controlo adequado.
Este anúncio anual ilustra o quão perto a Humanidade está perto do seu fim.
Em 2025, o relógio tinha sido colocado a 89 segundos da meia-noite
Desde então, "entendimentos globais conseguidos muito dificilmente estão a colapsar, a concorrência entre grandes poderes, em que o vencedor fica com tudo, está a acelerar e a minar a cooperação internacional" necessária para reunir riscos existenciais, acentuou o grupo.
Há preocupação com a ameaça de agravamento de conflitos ente Estados possuidores de armas nucleares, a propósito do que se aponta a invasão russa da Ucrânia e a guerra subsequente, o conflito de maio entre Índia e Paquistão e a possibilidade de o Irão desenvolver armas nucleares, apesar dos ataques no verão passado feitos por Israel e EUA.
Por outro lado, a confiança e cooperação internacional são vistas como essenciais, porque, "se o mundo se divide em eles-contra-nós, abordagens de soma zero, aumenta a probabilidade de todos perdermos", disse Daniel Holz, presidente da área de Ciência e Segurança do grupo.
Os cientistas do Bulletin também destacam as secas, as vagas de calor e as inundações associadas à rutura climática global, bem como a incapacidade de os Estados adotarem medidas significativas de combate ao aquecimento global - destacando em particular os esforços de Donald Trump para aumentar a produção de combustíveis fósseis e atacar a produção de energia renovável.
Desde a sua criação, em 1947, o grupo tem usado o relógio para ilustrar o potencial e até a probabilidade de as pessoas fazerem coisas que possam levar à extinção da Humanidade.
No fim da Guerra Fria, o relógio estava a 17 minutos da meia-noite. Mas nos últimos anos, para acentuar a necessidade de respostas efetivas aos problemas globais, o grupo mudou a contagem de minutos para os segundos que faltam para a meia-noite.
O tempo em causa pode ser aumentado se os Estados trabalharem em conjunto para resolverem os riscos existenciais.