Hungria e Eslováquia suspendem exportação de diesel para a Ucrânia

Hungria e Eslováquia suspendem exportação de diesel para a Ucrânia

Os dois países alegam que está em causa a "segurança energética" de ambos e que, para abastecerem os mercados, têm de suspender as exportações para a Ucrânia. Isto apesar de a Comissão Europeia ter afastado “riscos a curto prazo”.

RTP /
Gary McWilliams - Reuters

A Hungria e a Eslováquia vão suspender a exportação de diesel para a Ucrânia. O motivo é a suspensão do fornecimento de petróleo russo através do oleoduto ucraniano Druzhba, alvo de um ataque por parte da Rússia a 27 de janeiro.

O ministro húngaro dos Negócios Estrangeiros, Péter Szijjártó, classificou a suspensão do funcionamento do oleoduto como uma “decisão puramente política” e uma “chantagem” por parte de Volodymyr Zelensky para a Hungria “apoiar a guerra e permita que dinheiro húngaro seja enviado para o conflito na Ucrânia”.

As declarações são partilhadas pelo primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que afirma que a Ucrânia “está a tentar colocar pressão para apoiar a adesão à União Europeia e entregar fundos que pertencem às famílias ucranianas”.


Szijjártó alega que não existirem obstáculos técnicos ou operacionais para a retomada dos trabalhos no oleoduto.

O chefe da diplomacia húngara garante, no entanto, que o país tem reservas de petróleo bruto para 96 dias, afirmando que a exportação de diesel para a Ucrânia “só será retomada quando os ucranianos retomarem o fornecimento de petróleo bruto para a Ucrânia através do oleoduto Druzhba”.A Eslováquia declarou estado de emergência no setor energético e irá “disponibilizar 250 mil toneladas de petróleo da Administração Estatal de Reservas minerais”.

Segundo o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, a disponibilização das reservas irá permitir a satisfação das necessidades eslovacas durante um mês, mas lembra que o governo “não produz gasolina nem diesel”.

A Chéquia já informou que irá fornecer um “volume limitado de reservas de petróleo” à Eslováquia, para ajudar o país vizinho a ultrapassar a crise.

O chefe do Governo eslovaco alega que o oleoduto “foi reparado e está tecnicamente pronto” e que irá pedir ao embaixador da Eslováquia na Ucrânia que solicite uma visita ao Druzhba, “para que possamos ver com os nossos próprios olhos o que aconteceu lá, se o dano é como a Ucrânia alega, ou se é uma invenção”.

Robert Fico também pediu o envio de um grupo de monitorização da Comissão Europeia para verificar o que realmente aconteceu”.A Hungria e a Eslováquia admitem recorrer à importação de petróleo russo por via marítima, com a Hungria a esperar 500 mil toneladas de petróleo bruto da Rússia no início de março, alegando que a encomenda está em conformidade com a legislação europeia e que não está abrangidas pelas sanções norte-americanas.

No entanto, na terça-feira, o ministro croata da Economia, Ante Šušnjar, havia afirmado que o oleoduto Adria poderia ser usado para importar mais petróleo, mas que não deveria vir da Rússia, pois “ajuda a financiar guerras e ataques contra o povo ucraniano”.

Os dois países são alimentados através de dois oleodutos: o ucraniano Druzhba e o croata Adria, sendo o Druzhba o principal. Em 2025, a Hungria importou 4,9 milhões de toneladas de petróleo bruto através do oleoduto ucraniano e apenas 400 mil através do croata, segundo a agência de notícias Index.

O oleoduto Druzhba é o mais longo do mundo e é a principal via de transporte de petróleo russo para a Ucrânia, sendo alvo de vários ataques por parte das Forças Armadas russas, o último deles a 27 de janeiro, que fez com que o governo ucraniano suspendesse as operações no oleoduto.
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