Hwang pediu desculpas públicas por investigações fraudulentas

O cientista sul-coreano Hwang Woo-suk, antigo "pioneiro da clonagem" entretanto caído em desgraça, apresentou hoje um pedido de desculpas público e reconheceu ter efectuado investigações fraudulentas sobre células estaminais.

Agência LUSA /

"Enquanto autor dos artigos nos quais apareceram dados falsos, considero-me inteiramente responsável, admito-o e peço perdão", afirmou Hwang durante uma conferência de imprensa.

Numerosas pressões foram exercidas, nos media e entre os responsáveis científicos e políticos, para que o investigador apresentasse as desculpas oficiais ao país, que até à descoberta do caso o admirou como um herói nacional.

Uma comissão de inquérito independente, constituída por cientistas, emitiu terça-feira um relatório final confirmando que as duas "descobertas" que Hwang fez em 2004 e 2005 no domínio da clonagem terapêutica são falsas.

Entretanto, a justiça sul-coreana efectuou hoje buscas à casa e ao laboratório do investigador, que actualmente é alvo de processos por fraude e desvio de fundos.

"Lançámos estas operações para tentar reunir provas o mais rápido possível", indicou hoje um alto responsável do ministério público sul-coreano.

Seis dezenas de investigadores, apoiados por informáticos, participaram nas buscas que visaram a casa de Hwang, no centro de Seul, pouco antes das 09:00 (00:00 em Lisboa), assim como os escritórios e o laboratório do cientista na Universidade de Seul.

Os investigadores foram também destacados para realizar buscas em vários locais com ligações ao cientista e a 10 dos seus colaboradores, igualmente visados pelos processos levantados pelo ministério público.

Estas operações surpresa surgem depois de algumas notícias divulgadas pela imprensa, não confirmadas, segundo as quais Hwang terá apagado os ficheiros informáticos do seu laboratório.

Os investigadores indicaram ter encontrado vestígios de e-mails trocados entre o cientista e os seus colaboradores.

A justiça, que já proibiu Hwang e os seus 10 colaboradores de abandonar o país, abriu um inquérito por fraude e por desvio de fundos públicos, já que as autoridades sul-coreanas disponibilizaram 40 milhões de dólares para financiar os estudos do cientista.

Os juízes devem ainda investigar uma possível violação das leis da bioética, nomeadamente sobre as acusações segundo as quais terá obrigado uma colaboradora a doar os seus óvulos.

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