Ianukovitch em condições de se vingar da Revolução Laranja
O Partido das Regiões, do conservador pró-russo Viktor Ianukovitch, à frente nas intenções de voto para as legislativas ucranianas de hoje, se vencer as eleições poderá vingar o revés sofrido pelo seu líder na Revolução Laranja de 2004.
Uma vitória de Ianukovitch, primeiro-ministro no anterior regime de Leonid Kutchma e candidato derrotado à segunda volta das presidenciais de há 15 meses pelo reformista Viktor Iuchtchenko, poderá pôr em risco a aproximação do país à União Europeia (UE) e, sobretudo a adesão à Aliança Atlântica (NATO).
Analistas falam, no entanto, na possibilidade de este, na ausência de uma maioria, aliar-se com o "inimigo" Iuchtchenko, líder de A Nossa Ucrânia e actual Presidente, mantendo Kiev no rumo das instâncias euro-atlânticas, embora atrasando a entrada na NATO.
Os principais adversários do Partido das Regiões são precisamente A Nossa Ucrânia e o Bloco Timochenko, da ex-chefe do governo Iulia Timochenko e também ex-aliada de Iuchtchenko.
Para estas duas forças políticas, um terceiro cenário está em aberto, o da reconstituição da equipa "laranja" com os socialistas, visando prosseguir o alinhamento com o Ocidente.
Neste primeiro escrutínio após a Revolução Laranja liderada por Iuchtchenko, 37 milhões de ucranianos com direito a voto - entre 48 milhões de habitantes -, escolhem pelo método proporcional os candidatos de 45 forças políticas aos 450 lugares do parlamento unicamaral (Rada Suprema).
Em consequência da recente reforma constitucional, caberá ao hemiciclo, com um mandato de cinco anos, escolher a quase totalidade do próximo executivo ucraniano.
A segurança foi mandada reforçar pelo Ministério do Interior junto às assembleias de voto que, para o efeito, mobilizou cerca de 60.000 polícias.
O Conselho da Europa tem no terreno, como observadores, 37 membros da sua Assembleia Parlamentar, a trabalhar em parceria com outros do Centro para as Instituições Democráticas e Direitos Humanos (ODIHR) da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), da UE e da NATO.