Mundo
"Ideologia de extrema-direita". A pista seguida numa Polónia em choque após o ataque de Cracóvia
O atirador, de nacionalidade polaca, abateu seis pessoas a tiro e feriu outras 16, entre as quais uma portuguesa, na principal praça de Cracóvia, antes de ser baleado e capturado pelas forças de segurança. Foram depois encontrados mais três corpos na sua casa.
“Fascinado por ideologias de extrema-direita”. É assim que os investigadores polacos descrevem o suspeito de 25 anos que, no sábado, foi protagonista de um tiroteio em massa no coração da cidade de Cracóvia. Os disparos reacenderam preocupações de segurança num país já abalado, em outubro, por ataques com facas em escolas – incidentes que as autoridades associaram a conteúdos violentos na internet.
“Tudo indica que o atirador foi influenciado por uma ideologia de extrema-direita. Este aspeto também será objeto de investigação”, sinalizava na noite de sábado o ministro polaco do Interior, em conferência de imprensa conjunta.
“A polícia está no local, assim como agentes da Agência de Segurança Interna, tanto aqui, na cena do crime, como na residência da família do indivíduo”, continuaria Marcin Kierwinski.Entre os 16 feridos no tiroteio há cinco cidadãos estrangeiros, entre os quais uma portuguesa, que foi hospitalizada. Uma das seis vítimas mortais era um cidadão britânico. Dois agentes das forças de segurança ficaram feridos.
Foi o próprio primeiro-ministro polaco quem confirmou a descoberta dos corpos de duas mulheres e um homem na residência do suspeito em Ostrowiec Swietokrzyski, a cerca de 200 quilómetros a norte de Cracóvia.
“Há fortes indícios de que sejam membros de sua família próxima”, apontou ainda Donald Tusk, para acrescentar que foi empregue um drone para investigar o interior da casa, por razões de segurança: “Sabemos que pode haver uma quantidade significativa de armamento”. Em Ostrowiec Swietokrzyski, de acordo com os media polacos, foram entretanto deslocados os moradores no prédio onde o suspeito vivia.
“Roupa de estilo militar”
Também presente na conferência de imprensa, Tomasz Siemoniak, o ministro responsável pela coordenação dos serviços especiais de segurança, avançou que as investigações contam com meios da Agência de Segurança Interna (ABW) e do Serviço de Contrainteligência Militar (SKW).
O Ministério Público polaco anunciou já a abertura de um inquérito por alegado ato de "caráter terrorista".
“O atirador usava roupas de estilo militar e utilizou armas militares. Muitas armas e munições foram também encontradas no seu veículo”, apontou, por sua vez, Katarzyna Cislo, porta-voz da polícia em Cracóvia.O atirador utilizou uma espingarda automática AR-15 e possuía licença de porte de arma de fogo.
Os primeiros alertas foram dados pelas 15h00 (14h00 em Lisboa), referindo disparos aleatórios, a partir de um carro, numa praça da segunda maior cidade da Polónia.
“Vi disparos feitos pela janela do lado do condutor. Saía fumo. Corri para a esquadra na praça principal. Quando entrei, o local estava cheio de pessoas escondidas no chão”, contou ao site de notícias Interia um homem identificado como Konrad.
Ouvido pela agência Reuters, Julek, de 67 anos, disse ter visto um carro escuro a surgir repentinamente - o condutor começou a disparar contra um grupo de pessoas e depois fugiu: “Se tivéssemos chegado dois minutos antes, poderíamos ter sido atingidos”.
“A polícia evitou um massacre muito maior”
O ministro polaco do Interior deixou elogios à resposta das forças de segurança.
“A polícia evitou um massacre muito maior que, de outra forma, poderia ter ocorrido. Eles dispararam contra o agressor apenas três minutos após receberem o alerta”, enfatizou Marcin Kierwinski.O presidente polaco, Karol Nawrocki, decretou luto nacional até segunda-feira. “Os meus pensamentos estão com as vítimas, os feridos e suas famílias", escreveu o chefe de Estado na rede social X.
Entre múltiplas reações internacionais, o presidente da República, António José Seguro, manifestou solidariedade para com o povo polaco e indicou ter-se inteirado do estado de saúde da cidadã portuguesa ferida.
“Em seu nome pessoal e no do povo português, o presidente da República manifesta a sua solidariedade para com o povo polaco, apresentando sentidas condolências às famílias das vítimas e formulando votos de rápida recuperação a todos os feridos”, lê-se na nota da Presidência.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, considerou o ataque “chocante”: “Em nome do povo ucraniano - e pessoalmente - expresso as minhas sinceras condolências às famílias e aos entes queridos das vítimas”.
A representante da União Europeia para a política externa, Kaja Kallas, descreveu os acontecimentos de Cracóvia como “uma tragédia que será sentida muito além da Polónia”.
c/ agências
“Tudo indica que o atirador foi influenciado por uma ideologia de extrema-direita. Este aspeto também será objeto de investigação”, sinalizava na noite de sábado o ministro polaco do Interior, em conferência de imprensa conjunta.
“A polícia está no local, assim como agentes da Agência de Segurança Interna, tanto aqui, na cena do crime, como na residência da família do indivíduo”, continuaria Marcin Kierwinski.Entre os 16 feridos no tiroteio há cinco cidadãos estrangeiros, entre os quais uma portuguesa, que foi hospitalizada. Uma das seis vítimas mortais era um cidadão britânico. Dois agentes das forças de segurança ficaram feridos.
Foi o próprio primeiro-ministro polaco quem confirmou a descoberta dos corpos de duas mulheres e um homem na residência do suspeito em Ostrowiec Swietokrzyski, a cerca de 200 quilómetros a norte de Cracóvia.
“Há fortes indícios de que sejam membros de sua família próxima”, apontou ainda Donald Tusk, para acrescentar que foi empregue um drone para investigar o interior da casa, por razões de segurança: “Sabemos que pode haver uma quantidade significativa de armamento”. Em Ostrowiec Swietokrzyski, de acordo com os media polacos, foram entretanto deslocados os moradores no prédio onde o suspeito vivia.
“Roupa de estilo militar”
Também presente na conferência de imprensa, Tomasz Siemoniak, o ministro responsável pela coordenação dos serviços especiais de segurança, avançou que as investigações contam com meios da Agência de Segurança Interna (ABW) e do Serviço de Contrainteligência Militar (SKW).
O Ministério Público polaco anunciou já a abertura de um inquérito por alegado ato de "caráter terrorista".
“O atirador usava roupas de estilo militar e utilizou armas militares. Muitas armas e munições foram também encontradas no seu veículo”, apontou, por sua vez, Katarzyna Cislo, porta-voz da polícia em Cracóvia.O atirador utilizou uma espingarda automática AR-15 e possuía licença de porte de arma de fogo.
Os primeiros alertas foram dados pelas 15h00 (14h00 em Lisboa), referindo disparos aleatórios, a partir de um carro, numa praça da segunda maior cidade da Polónia.
“Vi disparos feitos pela janela do lado do condutor. Saía fumo. Corri para a esquadra na praça principal. Quando entrei, o local estava cheio de pessoas escondidas no chão”, contou ao site de notícias Interia um homem identificado como Konrad.
Ouvido pela agência Reuters, Julek, de 67 anos, disse ter visto um carro escuro a surgir repentinamente - o condutor começou a disparar contra um grupo de pessoas e depois fugiu: “Se tivéssemos chegado dois minutos antes, poderíamos ter sido atingidos”.
“A polícia evitou um massacre muito maior”
O ministro polaco do Interior deixou elogios à resposta das forças de segurança.
“A polícia evitou um massacre muito maior que, de outra forma, poderia ter ocorrido. Eles dispararam contra o agressor apenas três minutos após receberem o alerta”, enfatizou Marcin Kierwinski.O presidente polaco, Karol Nawrocki, decretou luto nacional até segunda-feira. “Os meus pensamentos estão com as vítimas, os feridos e suas famílias", escreveu o chefe de Estado na rede social X.
Entre múltiplas reações internacionais, o presidente da República, António José Seguro, manifestou solidariedade para com o povo polaco e indicou ter-se inteirado do estado de saúde da cidadã portuguesa ferida.
“Em seu nome pessoal e no do povo português, o presidente da República manifesta a sua solidariedade para com o povo polaco, apresentando sentidas condolências às famílias das vítimas e formulando votos de rápida recuperação a todos os feridos”, lê-se na nota da Presidência.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, considerou o ataque “chocante”: “Em nome do povo ucraniano - e pessoalmente - expresso as minhas sinceras condolências às famílias e aos entes queridos das vítimas”.
A representante da União Europeia para a política externa, Kaja Kallas, descreveu os acontecimentos de Cracóvia como “uma tragédia que será sentida muito além da Polónia”.
c/ agências