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COVID-19
Iémen enfrenta a maior crise humanitária do mundo
Dezasseis programas humanitários da ONU no Iémen estão suspensos. Outros 26 estão ameaçados até ao final de 2020, devido à falta de financiamento. A agência humanitária pede ajuda a parceiros internacionais para conseguir salvar vidas.
Cerca de oitenta por cento dos 29 milhões de habitantes do Iémen dependem de ajuda humanitária. O país é devastado pela guerra desde 2014, criando grande instabilidade ao acesso humanitário a milhões de pessoas vulneráveis.
Menina internada por sofrer de malnutrição. Alimentação feita por sonda. Unidade de Saúde apoiada pela ONU | Foto: Yahya Arhab - EPA
À escalada de violência, que provocou 3,65 milhões de deslocados, somam-se as consequências imediatas da desvalorização do rial, aumento dos preços dos produtos essenciais e a expansão da pandemia de Covid-19.
Mais de metade das unidades de saúde dependem do apoio das agências humanitárias.
A ajuda humanitária está ameaçada pela diminuição de recursos e, segundo o Programa Alimentar Mundial, já estão a faltar alimentos.
Em julho deste ano, Elisabeth Byrs, porta-voz da ONU já alertava para a situação "A distribuição de alimentos no norte do país foi reduzida para metade. Todos os indicadores estão no vermelho".
A fome e a malnutrição severa atingem dois terços da população.#Yemen is suffering the world's worst humanitarian crisis, driven by conflict, disease and poverty. Millions of innocent people bear the brunt of #YemenCrisis and now #COVID19 is making it worse.
— World Food Programme (@WFP) August 30, 2020
Here are 7️⃣ of the greatest threats facing the people of Yemen. #YemenCantWait pic.twitter.com/7QZFPSCGlg
A situação é extremamente grave, segundo a Organização das Nações Unidas, que já suspendeu 16 programas de apoio. Os restantes 26 estão em risco por falta de recursos financeiros.
A ajuda humanitária depende agora de donativos internacionais para que a rede da agência que opera no terreno consiga salvar vidas.
Na guerra, as crianças são quem paga o maior preço.
Segundo a UNICEF, pelo menos 2000 crianças foram mortas, 4800 mutiladas, 2700 meninos foram recrutados para as fileiras da guerra.
Estimam que mais de 368 mil crianças menores de 5 anos sofram de malnutrição aguda grave.
Unidade de Saúde apoiada pela ONU. Menino alimentado por sonda | Foto: Yahya Arhab - EPA
O conflito decorre entre as forças do presidente Abdrabbuh Mansur Hadi, apoiadas pola Arábia Saudita, e milícias Huti.
À escalada de violência, que provocou 3,65 milhões de deslocados, somam-se as consequências imediatas da desvalorização do rial, aumento dos preços dos produtos essenciais e a expansão da pandemia de Covid-19.