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IFC aposta em agronegócio, turismo e logística para crescimento económico na África lusófona

IFC aposta em agronegócio, turismo e logística para crescimento económico na África lusófona

O diretor regional da Corporação Financeira Internacional (IFC) para a África Ocidental e Sahel disse à Lusa que a organização aposta no agronegócio, turismo e logística como setores capazes de impulsionar emprego e crescimento económico na África lusófona.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Mário Galego - RTP Antena 1

"O agronegócio e o turismo são setores focais no BM [Banco Mundial] porque têm capacidade de criar empregos para muitas pessoas", com agregação de pequenos produtores e efeitos multiplicadores, referiu em Sameh Wahba, responsável regional do IFC - braço do BM para o setor privado.

"Para cada emprego direto que é criado pelo turismo, surgem dois ou três empregos indiretos", exemplificou.

Os dois setores "são um grande foco do BM e a logística é muito importante para o movimento de cargas e pessoas, é um pilar principal para o crescimento económico", assinalou, à margem do 2.º Fórum Empresarial da África Lusófona, que hoje termina, em Cabo Verde, e dedicado àquelas áreas.

"É por isso que esses setores foram priorizados" a par das infraestruturas, incluindo a energia, que classificou como essenciais para o crescimento.

O número de inscrições no fórum cresceu de 250 para 420 desde a edição de 2025, referiu, entre investidores e representantes de vários governos, permitindo que, na mesma sala, se conheçam exemplos do que está a avançar num mercado fragmentado, de Cabo Verde a Moçambique.

"No espaço africano fala-se bastante, por exemplo, do espaço francófono, que é um mercado que está estabelecido e tem os seus apoios. A lusofonia, se calhar pelo distanciamento dos mercados, nunca esteve constituída como um mercado, sempre foi mais fragmentada", acrescentou por seu turno a diretora regional da IFC para a África Austral, Cláudia da Conceição.

O fórum permite "olhar de forma mais consolidada" para o bloco que fala português, defendeu.

"Do ponto de vista de novos negócios [entre as duas edições], houve vários a acontecer no setor do agronegócio", em especial em Moçambique e Angola, a par de novas iniciativas no setor da energia "onde a IFC está envolvida".

A carteira de projetos ativos nos PALOP tem crescido, referiu, ascendendo a 750 milhões de dólares (672 milhões de euros), com novas parcerias em empresas agrícolas que trabalham com produtores locais a serem anunciadas em breve.

Apesar de grande parte do volume financeiro estar dedicado à área das infraestruturas, "a área do agronegócio, incluindo processamento, está de facto a aumentar bastante", indicou Cláudia da Conceição.

Em termos acumulados, nos últimos cinco anos, a instituição mobilizou cerca de 1,2 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros) em 10 projetos nos seis países: Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique.

A IFC é uma instituição multilateral de financiamento do desenvolvimento, vocacionada para o sector privado dos países em desenvolvimento, que concede empréstimos, participa no capital de empresas, mobiliza investimento e presta assistência técnica, mas não é a única.

"As necessidades são enormes, mas há uma coordenação entre instituições de financiamento que nunca existiu", referiu Sameh Wahba, apontando exemplos de parcerias com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) ou Banco Europeu de Investimento (BEI).

Questionado sobre o efeito das disrupções geopolíticas globais, aquele responsável considera que as respostas variam entre setores, "mas estão a criar oportunidades, não [representam] só insegurança".

O aumento do preço dos combustíveis "está a criar muitas oportunidades para os países introduzirem projetos de energia renovável ou criar projetos da conversão do gás para a eletricidade" de forma a compensar "a dinâmica geopolítica".

"Também no setor da agricultura, com a insegurança alimentar que aumentou com a guerra na Ucrânia, há mais oportunidades" para "investir em agronegócios", com a disrupção dos sistemas mundiais de comércio a incentivar a produção local, disse.

Cláudia da Conceição defendeu que os projetos em África apresentam menor probabilidade de incumprimento e retornos superiores aos de outras geografias.

"Temos dois objetivos: aumentar a presença da IFC", seja através de empréstimos como participação no capital, "e acrescentar apoio para micro, pequenas e médias empresas. Mas onde vai acontecer, vamos ver", conclui Sameh Wahba.

A IFC vai acompanhar os contactos resultantes do fórum focado na África lusófona, como um mercado com uma população a rondar 80 milhões de pessoas e um produto interno bruto (PIB) combinado de cerca de 174 mil milhões de dólares.

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