Ignacio Ramonet diz que a sua figura apenas é comparável à de Gandhi
Guadalajara, México, 06 dez (Lusa) - O jornalista Ignacio Ramonet considerou, esta quinta-feira, que Nelson Mandela foi um líder cuja singularidade política "apenas se pode comparar à de Gandhi"
"Representa um líder político que conquista algo impensável, como é a queda do `apartheid`, que obteve com uma força espiritual que marca mais do que a sua vitória política", disse o diretor do Le Monde Diplomatique à agência Efe.
Nelson Mandela, continuou Ignacio Ramonet, impressiona o mundo, não porque conseguiu uma independência, em certa medida, ou o derrube de um regime detestável e odioso, "mas sim pela sua própria força moral, ao ter passado 27 anos preso e ao ter-se imposto sobre os seus adversários".
Para Ramonet, o líder sul-africano conquistou a sua vitória "com algo tão simples, que é a base do cristianismo", ou seja, o princípio de não odiar "os inimigos", "oferecendo a outra face a quem te agride".
"Creio que, por isso, é esse aspeto universal do amor, do não ao ódio, do não à vingança, que faz de Mandela um ser espiritualmente muito superior a nós", disse Ramonet, que se encontra no México, para apresentar a sua obra "Hugo Chávez. Minha primeira vida", na Feira Internacional do Livro de Guadalajara.
Esta noite, antes da última atividade do dia no evento - um espetáculo do ator Diego Luna e do escritor israelita Etgar Keret -, a diretora da Feira, Marisol Schulz, recordou uma frase do histórico líder da África do Sul.
"Na vida, a maior glória não é nunca cair, mas levantarmo-nos depois de cada queda", disse Schulz.
Centenas de pessoas que visitaram a feira prestaram depois um minuto de silêncio em memória de Mandela.
A morte de Nelson Mandela, aos 95 anos, foi anunciada pelo Presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma, numa comunicação televisiva.
Líder da luta contra o "apartheid", Nelson Mandela foi o primeiro presidente negro da África do Sul, entre 1994 e 1999.