Igreja Anglicana discute exigência de resignação de bispo que lidera CNE
A Igreja Anglicana em Moçambique vai analisar na terça-feira a "exigência" de "resignação imediata" do seu bispo, Carlos Matsinhe, que é também presidente da Comissão Nacional de Eleições, segundo convocatória a que a Lusa teve hoje acesso.
A exigência para o afastamento de Carlos Matsinhe da posição de bispo foi feita pela Igreja Anglicana de Moçambique e Angola (IAMA), entidade que cobre "a província eclesiástica" dos crentes destes dois países, lê-se na convocatória, feita pelo próprio bispo e assinada pelo administrador diocesano da Igreja Anglicana em Moçambique, Elvis Lucas Gumete.
Carlos Matsinhe é presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Moçambique e várias entidades já exigiram a sua demissão deste posto, no contexto da contestação pela oposição e diversas instituições dos resultados eleitorais anunciados por aquele organismo eleitoral.
A CNE anunciou a vitória da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, em 64 das 65 autarquias, à exceção da cidade da Beira.
A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, que nas anteriores 53 autarquias (12 novas autarquias foram criadas este ano) liderava em oito, ficou sem qualquer município, apesar de reclamar vitória nas maiores cidades do país, com base nas atas e editais originais das assembleias de voto, tendo recorrido para o CC, última instância de recurso no processo eleitoral.
Alguns tribunais distritais chegaram a reconhecer irregularidades no processo eleitoral e ordenaram a repetição de vários atos eleitorais, enquanto na rua se realizam regularmente manifestações de contestação aos resultados anunciados, os quais terão ainda de ser confirmados pelo CC.