Igreja Católica cabo-verdiana elogia clarificação jurídica e pensa em universidade

Cidade da Praia, 10 jun (Lusa) - A Concordata assinada hoje entre Cabo Verde e a Santa Sé vai permitir à Igreja Católica expandir as instituições de ensino no arquipélago, estando as portas abertas para a criação de uma universidade, disse hoje o bispo de Santiago.

Lusa /

Arlindo Furtado, um dos dois bispos de Cabo Verde - o outro é Ildo Fortes, da Diocese do Mindelo (ilha de São Vicente) -, falava aos jornalistas momentos após a assinatura do acordo relativo ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica em Cabo Verde, que decorreu hoje ao fim da manhã na Cidade da Praia.

"Há agora a abertura à possibilidade de a Igreja fazer mais coisas, sobretudo em termos de educação. A Igreja poderá criar as suas próprias instituições educativas, inclusive a universidade. Se puder, se quiser chegar lá, tem agora essa possibilidade de forma concreta", disse Arlindo Furtado.

O bispo da diocese de Santiago lamentou o facto, porém, de haver "muitos desejos" nesse sentido, a que "faltam condições materiais e humanas" para lhes dar corpo.

Arlindo Furtado salientou ser esta a "inovação" que a Concordata traz à Igreja Católica em Cabo Verde.

"Concretamente é esta a inovação de poder ter os seus próprios institutos de ensino, a todos os níveis", insistiu, salientando que estão abertas também as portas para outras modalidades de intervenção que poderão ser pensadas para o futuro.

A Concordata "também dá possibilidade, de forma clara, de dar assistência aos católicos em situações particulares, como nas cadeias e nos hospitais, de forma clara e sem ambiguidade. São coisas que se fazem já na prática, mas não havia uma definição clara. Havia pessoas que se julgavam com direito de impedir que esses atos acontecessem porque não tinham conhecimento. Agora já está tudo claro", referiu.

Sobre o facto de não existirem quaisquer diferendos entre a Igreja Católica e o Estado de Cabo Verde, o bispo cabo-verdiano salientou que a questão do Património também nunca esteve em causa.

"As propriedades da Igreja são da Igreja e a questão da gestão do património é um dos capítulos que merecerá mais diálogo no futuro, porque é uma realidade que pertence à sociedade cabo-verdiana, mas que também pertence à Igreja", salientou.

"Temos agora um acordo quadro, que também vai ajudar a esclarecer as relações já existentes e que agora têm uma contextualização jurídica que permite uma relação mais normal", sintetizou.

"Este acordo jurídico dá à igreja local a garantia de que as relações estão bem enquadradas juridicamente, dá mais segurança e permite-nos um instrumento que nos faculta um tratamento melhorado entre duas entidades importantes - o Estado e a Igreja em Cabo Verde. A Igreja ajudou, ajuda e continuará a dar o seu contributo para estruturar a paz identitária da comunidade cabo-verdiana", concluiu.

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