Igreja católica estatal chinesa ordena bispo em oposição ao Vaticano
A China ordenou Wang Renlei como bispo auxiliar da diocese de Xuzhou, sem a aprovação do Vaticano, disse à Agência Lusa um membro daquela diocese da província oriental de Jiangsu.
A Igreja católica patriótica chinesa, a única legal na China e que resp onde ao governo central de Pequim em vez do Vaticano, ordenou Wang Renlei, 36 an os, bispo auxiliar da diocese Xuzhou, um acto que torna mais difícil a aproximaç ão entre Pequim e a Santa Sé, que não têm relações diplomáticas.
"Deveriam estar umas 50 pessoas na ordenação desta manhã", disse à Agên cia Lusa um religioso da diocese, contactado pelo telefone a partir de Pequim, q ue recusou identificar-se.
O Vaticano disse na quarta-feira que a ordenação representa uma falta d e respeito pelo Papa Bento XVI e pela Igreja Católica Apostólica Romana, que man ifestou também "consternação" com a ordenação do novo bispo, segundo a agência n oticiosa AsiaNews, da Santa Sé.
"Qual o interesse que o Governo chinês em realizar este gesto, que ofen de o Papa e a Igreja?", disseram fontes anónimas à AsiaNews.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) chinês reiterou hoje a ind ependência da igreja católica estatal em relação ao Vaticano e disse esperar que a Santa Sé "tenha em consideração a história das relações entre a China e o Vat icano e encare a eleição independente e a ordenação dos bispos com uma atitude p ositiva".
"A nossa posição consistente sobre o assunto é que o Vaticano não deve interferir com os assuntos internos da China e isso inclui não usar a religião c omo um pretexto para interferir nas questões internas", afirmou hoje Jiang Yu, p orta-voz do MNE, em conferência de imprensa de rotina em Pequim.
Wang Renlei é o quarto bispo que a Igreja Católica Patriótica chinesa o rdena este ano sem o acordo do Vaticano, após Ma Yinglin, a 30 de Abril, Liu Xin hong, a 3 de Maio e Zhan Silu, a 14 de Maio.
"Não sentimos necessidade de consultar o Vaticano, uma vez que o Vatica no não reconhece a China e os dois lados não têm relações diplomáticas", disse t erça-feira o vice-presidente da Igreja Patriótica, Liu Bainian, que acrescentou que a nomeação de Wang é "legal e válida".
A insistência da China em nomear bispos sem consultar o Vaticano tem ir ritado a Santa Sé e é o maior entrave à melhoria das relações entre os dois lado s e ao eventual estabelecimento de relações diplomáticas.
Desde a proclamação da República Popular da China, em 1949, que o Vatic ano não tem relações diplomáticas com as autoridades de Pequim.
A Santa Sé diz que as relações podem ser estabelecidas de imediato se P equim concordar em não interferir nos assuntos internos da Igreja Católica., ref erindo-se à nomeação de bispos por parte da igreja estatal, que tem cerca de qua tro milhões de seguidores.
As autoridades chinesas só permitem manifestações cristãs no âmbito das igrejas aprovadas e controladas pelo Estado, mas milhões de fiéis são membros d as igrejas na clandestinidade, que celebram missas em casas particulares, recusa m-se a aceitar a liderança religiosa estatal e, no caso da igreja católica, reco nhecem unicamente a autoridade do Vaticano.
A Constituição chinesa permite a existência de cinco igrejas oficiais - budismo, taoismo, islão, catolicismo e protestantismo.
Segundo fontes do Vaticano, a igreja católica clandestina terá mais de 10 milhões de fiéis.