Igreja católica italiana de volta à arena política para barrar uniões de facto

Trinta anos depois dos combates perdidos do divórcio e do aborto, a Igreja Católica voltou hoje a descer à arena política para barrar o reconhecimento dos casais homossexuais e heterossexuais, considerados como ameaça ao casamento.

Agência LUSA /

O texto aprovado quinta-feira em conselho de ministros depois de laboriosas negociações entre correntes laicas e católicas da maioria de centro-esquerda é mais tímido do que aqueles que já estão em vigor em 20 países que não "têm o papa em casa", como diz uma expressão popular.

Hoje, o papa Bento XVI manifestou-se "preocupado" perante a multiplicação das leis "que dizem respeito a questões muito delicadas como a transmissão e a defesa da vida, a doença, a identidade da família e o respeito pelo casamento".

O projecto de lei, que tem ainda de ser emendado no Parlamento, abre direitos às uniões de facto, heterossexuais ou homossexuais.

"A nossa democracia necessita de encorajamentos, não de lições", retorquiu o chefe do governo, Romano Prodi, um católico praticante.

Sobre "os valores" e dos "direitos da pessoa" como sobre outros assuntos, "nós escutamos, discutimos, mas no final somos nós que decidimos", acrescentou.

A Repubblica (esquerda laica) denunciou hoje um ataque sem precedente" da Igreja Católica "ao direito dos políticos a legislar", e pressões ainda mais fortes do que durante os debates sobre a legalização do divórcio e do aborto nos anos 1970-80.

Bento XVI tem criticado " o relativismo dos valores" que, depois dos países mais laicizados atinge agora a muito católica Itália.

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