Igreja cipriota acorre em auxílio dos bancos

Numa posição inédita, a Igreja Ortodoxa do Chipre coloca os seus bens à disposição do Governo para salvar o sistema bancário do país. O primeiro país a recusar um programa de resgate europeu torna-se assim também no primeiro a ver a sua Igreja colocar a sua riqueza à disposição da comunidade.

RTP /
Arcebispo de Chipre, Chrysostomos II, anunciou medida inédita. A Igreja intervêm parta impedir intervenção dos estrangeiros Yorgos Karahalis, Reuters

O Arcebispo de Chipre, Chrysostomos II, reuniu-se com o presidente Nicos Anastasiades, ao qual anunciou a intenção de hiopotecar os bens da Igreja que lidera para permitir um investimento em Obrigações do Tesouro cipriotas, com o objetivo de “salvar o sistema bancário do país”.

Esta opção de recorrer ao rico património da Igreja de Chipre poderá permitir ao Governo cipriota de evitar o polémico lançamento do imposto extraordinário sobre os depósitos, medida que foi ontem rejeitada pelos parlamentares numa votação em que o projeto de iniciativa do Eurogrupo e apresentada na câmara de deputados não mereceu nenhum voto de apoio.

À saída do Palácio Presidencial onde manteve a reunião com o Presidente Nicos Anastasiades, o líder da Igreja Ortodoxa, arcebispo Chrysostomos II, afirmou à comunicação social que "todos os bens da Igreja estão à disposição deste país, para evitar o colapso da economia".

A Igreja está profundamente disseminada em Chipre, onde 70% dos crentes são cristãos ortodoxos, bem como é detentora de um espólio considerável, que inclui propriedades, posições na estrutura acionista de bancos e até uma cervejeira. Especialistas na matéria referem mesmo que a Igreja será o maior proprietário da ilha, com ativos avaliados em dezenas de milhões de euros.

"Toda a riqueza da Igreja está à disposição do Chipre para que possamos levantar-nos sozinhos e não com ajuda de estrangeiros", acrescentou o arcebispo Chrysostomos II.

Com o chumbo pelos deputados cipriotas do imposto sobre os depósitos – condição considerada essencial para o resgate europeu da banca cipriota – Nicósia tenta agora outras opções de financiamento, com a Rússia a emergir como uma forte hipótese para um novo empréstimo bilateral.

Chipre foi o primeiro país europeu a ver um Parlamentar recusar um plano de resgate proposto pelas entidades europeias e torna-se assim também um dos primeiros, senão o primeiro, a ver a sua Igreja colocar os seus bens à disposição do país.
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