Igreja ortodoxa russa saúda memória de João Paulo II
A Igreja ortodoxa russa saudou hoje a memória de João Paulo II, que faleceu sábado, e espera que "a recordação do defunto" sirva para "criar boas relações" entre as Igrejas católica e ortodoxa russas, marcadas por relações difíceis.
"O longo pontificado de Sua Santidade enquanto chefe da Igreja católica romana foi uma etapa importante na sua história contemporânea", reagiu o patriarcado de Moscovo num comunicado publicado no seu site de Internet.
"Espero sinceramente que no futuro, a lembrança do defunto sirva para a instauração de boas relações entre as nossas Igrejas e contribua para ultrapassar as actuais dificuldades", sublinha o comunicado, que não foi assinado pelo patriarca Alexis II, mas pelo metropolita Kirill, porta-voz do patriarcado.
"Espero que o novo período que se abre na vida da Igreja católica romana ajude a renovar entre as nossas Igrejas as relações de respeito mútuo e de amor cristão fraternal", declarou, por seu turno, Alexis II numa carta enviada ao Vaticano e divulgada após aquela primeira reacção oficial.
O pontificado de João Paulo II foi marcado por relações de impasse com a Igreja ortodoxa russa, que acusa nomeadamente o "proselitismo" de missionários católicos na Rússia.
João Paulo II, que desempenhou um papel de primeiro plano na queda do comunismo na Europa, nunca pôde por isso deslocar-se à Rússia em visita.
"O pontificado de sua Santidade João Paulo II constituiu uma época inteiramente à parte, tanto na vida da Igreja católica romana como para toda a história contemporânea", escreveu Alexis II na mensagem enviada ao Vaticano.
"A personalidade do Papa defunto, a sua obra e as suas ideias tiveram uma grande influência sobre o curso dos acontecimentos mundiais", acrescenta o patriarca russo.
O presidente russo, Vladimir Putin, classificara horas antes João Paulo II como "uma figura excepcional do nosso tempo, à qual é associada uma nova época", acrescentando guardar "as lembranças mais calorosas" dos seus encontros com "um homem sábio e responsável, aberto ao diálogo".
Vladimir Putin, apesar de ortodoxo, como a maioria de russos, foi recebido no Vaticano por João Paulo II em Novembro de 2003.