Ilhas Curilhas. Rússia suspende negociações de paz com Japão
Num gesto de retaliação pelas sanções que lhe foram impostas pelo Japão, o Kremlin decidiu interromper as negociações de um tratado de paz com o país asiático relativo às Ilhas Curilhas. A posição russa, reagiu nas últimas horas o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, "é extremamente irracional".
Kishida reagiu à decisão russa durante uma sessão no comité orçamental da Dieta, o Parlamento japonês.
Por sua vez, em conferência de imprensa, Hiokazu Matsuno, porta-voz do Ministério japonês dos Negócios Estrangeiros, adiantou que havia sido remetido um protesto ao embaixador russo em Tóquio, Mikhail Galuzin.
"A invasão russa da Ucrânia é uma tentativa unilateral de alterar o status quo pela força e é um ato que afeta a base da ordem internacional. É claramente uma violação do Direito Internacional e inaceitável", afirmou o porta-voz.
"Esta decisão é extremamente injusta, nunca será aceite e motiva o nosso mais forte protesto", continuou Matsuno, para acrescentar que Tóquio considera não haver qualquer alteração da "linha diplomática básica" com Moscovo.
A soberania sobre as quatro Curilhas é a razão pela qual Rússia e Japão não assinaram qualquer tratado de paz após o termo da II Guerra Mundial, em 1945.
Tóquio procura há vários anos uma solução para a parte sul das Ilhas Curilhas - os designados Territórios do Norte no Japão -, que foram anexadas pela antiga União Soviética depois da II Guerra Mundial.
Em 2018, Tóquio e Moscovo concordaram em assinar um tratado de paz. Todavia, em 2020 foi aprovada uma emenda à Constituição da Rússia a impedir a transferência de qualquer porção de território.
Com o início da invasão da Ucrânia, o Japão decidiu impor sanções a várias organizações e empresas da Rússia, bem como a 76 cidadãos, desde logo ao presidente Vladimir Putin. Foram também sancionados 12 cidadãos da Bielorrússia, entre os quais o presidente deste Estado satélite de Moscovo, Alexander Lukashenko.
c/ agências