Ilhas Faroé. Matança de golfinhos cria onda de indignação na comunidade de caçadores

por RTP
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Mais de 1500 golfinhos foram mortos nas Ilhas Faroé, o que está a causar grande indignação. Até a comunidade que suporta a caça à baleia que é realizada todos os anos nas Ilhas Faroé critica o facto, denominando o acontecimento como “cruel e desnecessário”.

Mais de 1500 golfinhos foram mortos no domingo, nas Ilhas Faroé, algo que está a criar uma grande onda de indignação pelo mundo. Os animais foram levados para águas rasas e deixados à própria sorte durante horas antes de serem mortos.

O grupo Sea Shepherd, que todos os anos faz campanha para parar a tradicional caça à baleia nas Ilhas Faroé desde os anos 80, revelou que a matança de golfinhos foi a maior na história da ilha.

A dimensão da história ganha outros contornos com os próprios habitantes das Ilhas Faroé a criticarem a matança dos animais, quando estão habituados a ver estas ações como uma parte cultural da sua herança.

Muitos comentários nas redes sociais têm mostrado indignação e repugnância pelo sucedido. Heri Petersen, o organizador da caça às baleias e diretor da associação, explicou que os golfinhos foram levados para a praia e com poucas pessoas a matá-los a agonia dos animais foi maior.

“Estou espantando com o que aconteceu”, disse Petersen aos media locais. “Os golfinhos ficaram demasiado tempo na praia a contorcerem-se antes de serem mortos”.

Um dos antigos organizadores da caça à baleia, Hans Jacob Hermansen, também expressou indignação pelo que aconteceu e afirmou que este é um episódio que tira valor à caça, que é cultura das Ilhas Faroé, e a todo o trabalho realizado ao longo dos anos.

“O mundo tornou-se num local muito mais pequeno, com toda a gente a andar por aí com uma câmara no seu próprio bolso. Isto é um presente para todos os que não gostam da caça que fazemos todos os anos”, disse Ólavur Sjurdarberg, sucessor de Hermansen.

A caça que é feita todos os anos tem grande significado para as pessoas das Ilhas Faroé, com muita gente a ir até à costa, com a carne conseguida a partir da caça a ir para as famílias que participaram na atividade. O excedente é partilhado com os restantes habitantes do local.

No entanto, uma das pessoas que vive no local disse a um jornal dinamarquês que é impossível que os locais quisessem tanta carne de golfinho para consumir.

“A minha intuição diz que a maioria dos golfinhos vai ser atirada para o lixo ou para buracos escavados no chão. Devíamos ter quotas por distrito e não matar golfinhos”, concluiu.

Alex Cornelissen, da Sea Shepherd, disse que no meio de uma pandemia “é absolutamente terrível ver um ataque à natureza a esta escala nas Ilhas Faroé”.
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