Imigrantes em Espanha não reduzem oportunidades de trabalho
A imigração em Espanha tem efeitos benéficos para os espanhóis e a entrada de imigrantes não reduz as oportunidades de trabalho nem afecta os salários no país, revela um estudo apresentado pelo Governo de Madrid.
A imigração é um fenómeno cada vez mais presente nas sociedades europeias e a força de trabalho nos países da União Europeia (UE) é cada vez mais composta por cidadãos não-nacionais que, segundo as ultimas estimativas, já representam 5,2 por cento da mão-de-obra comunitária e têm um contributo importante para o crescimento da produção de riqueza nos países comunitários, incluindo Portugal.
O relatório "Imigração e mercado de trabalho 2007", apresentado hoje pela secretária de Estado de Imigração e Emigração espanhola, Consuelo Rumí Ibáñez, destaca que, em 2006, houve um aumento de 282,876 residentes estrangeiros em Espanha, o menor ocorrido nos últimos cinco anos em termos absolutos.
Em termos relativos, este número equivale a 10 por cento face aos 20 por cento registados nos anos anteriores ao processo de regulação, que aconteceu naquele país em 2005.
Rumí Ibáñez afirmou que os números do relatório "desmentem o efeito de chamada" que supostamente a regularização de cidadãos estrangeiros provoca e sublinhou que muito para além dos efeitos imediatos e positivos que este processo tem "na redução da economia paralela [provocada pela mão-de-obra ilegal], tem também efeitos "benéficos para o mercado laboral".
De acordo com o relatório elaborado pelo Observatório Permanente de Imigração, os números apresentados invalidam as críticas ao processo de regularização e os preconceitos face à imigração, nomeadamente que a entrada de imigrantes ao país leva a uma descida dos salários.
De acordo com os dados do gabinete de estatísticas das Comunidades Europeias (Eurostat), publicados este mês num relatório da Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e do Trabalho (Eurofound), a percentagem de trabalhadores de outras nacionalidades em Portugal no primeiro trimestre de 2006 estimava-se em 3,5 por cento.
De acordo com os mesmos dados, em 2005 viviam em Portugal com autorização de residência perto de 280 mil cidadãos estrangeiros, sendo que actualmente os cidadãos estrangeiros legalizados no país rondam os cerca de 450 mil.
O documento do Governo espanhol indica que, entre 1996 e 2001, foram os espanhóis que ocuparam 70 por cento dos novos postos de trabalho no país, enquanto entre 2001 e 2006, a percentagem foi inversa.
Porém, a ocupação dos postos de trabalho por cidadãos estrangeiros ocorrida nos últimos cinco anos foi "acompanhada de uma certa deslocação dos espanhóis para o sector dos serviços, sublinha o relatório, tendo-se os imigrantes incorporado nas categorias mais baixas de trabalho, favorecendo a entrada de espanhóis a trabalhos intermédios e altos.
As taxas de ocupação geral cresceram, segundo o documento, três pontos percentuais nos últimos anos e o desemprego baixou de 22 para oito por cento, embora este seja ainda maior nas comunidades de imigrantes (12 por cento).
O relatório da Eurofound, assim como o relatório anual da OCDE, publicado segunda-feira, apontam para uma situação de "desajustamento entre as qualificações dos emigrantes e os empregos que conseguem obter".
Apesar de Portugal ser "um dos países da OCDE com o maior crescimento na proporção de estrangeiros empregados face à população empregada", as condições em que exercem o seu trabalho são muito distintas das relativas aos trabalhadores nacionais
De acordo com os dados da OCDE, apenas um imigrante altamente qualificado em cada quatro se encontra inactivo ou a trabalhar em trabalhos inferiores as suas habilitações nos países que compõem a organização.
A nível europeu apenas dois por cento dos imigrantes na Europa ocupam, segundo os dados do relatório Eurofound, cargos de gerência, três por cento exercem profissões intelectuais ou científicas e outros três por cento têm profissões técnicas, estando a esmagadora maioria (37 por cento) integrados nas chamadas tarefas indiferenciadas.
Relativamente à distribuição sectorial do trabalho imigrante na Europa, o documento da Eurostat adianta que a construção civil emprega 36 por cento desta mão-de-obra, seguida pela indústria (14 por cento) e pela hotelaria e restauração (12,9 por cento).