Imperatriz do Japão sentiu "admiração e respeito" quando Akihito afirmou querer abdicar

Tóquio, 20 out (Lusa) -- A imperatriz do Japão, Michiko, afirmou hoje, por ocasião do seu 82.º aniversário, que sentiu "admiração e respeito" quando o marido, o imperador Akihito, expressou a sua intenção de abdicar do trono.

Lusa /

A imperatriz afirmou que seguiu com "admiração e respeito" a mensagem lida pelo imperador, transmitida pela televisão a 08 de agosto, em que manifestou o desejo de abdicar nos próximos anos devido à idade (82 anos) e ao seu estado de saúde.

O discurso do imperador "reflete o seu pensamento" e foi redigido depois de ter consultado "largamente" sobre a decisão o filho mais velho e príncipe herdeiro, Naruhito, e com o filho mais novo, o príncipe Akishino, afirmou a imperatriz, sem esconder que, no entanto, se sentiu "entristecida" ao ver como os meios de comunicação social falaram da decisão de Akihito.

Desde a mensagem de Akihito, o governo começou a trabalhar na produção de uma lei especial para permitir que abandone o trono antes de morrer, algo que a Constituição do Japão não prevê.

O Executivo espera que, uma vez ultrapassados os trâmites parlamentares, a abdicação ocorra em 2018, ano que terá sido sugerido pelo próprio chefe de Estado a funcionários da Agência da Casa Imperial, segundo a imprensa nipónica.

A lei seria apresentada ao parlamento no início do próximo ano para permitir a abdicação do imperador, algo que a maioria dos japoneses aprova, de acordo com sondagens.

Se Akihito abdicar será a primeira vez que isso acontece no Japão desde 1817.

Akihito chegou ao trono aos 55 anos, a 07 de janeiro de 1989, após a morte do pai, o imperador Hirohito. Foi o primeiro a chegar ao trono desde a entrada em vigor da nova Constituição aprovada em 1947, após o fim da ocupação norte-americana na sequência do final da II Guerra Mundial.

Os cinco anteriores imperadores morreram em funções: Hirohito (1926/1989), Taisho (1912/1926), Meiji (1867/1912), Komei (1846/1867) e Ninko (1817-1846).

De acordo com a Constituição pacifista japonesa, o imperador desempenha "funções de representação do Estado" e é "o símbolo da nação e da unidade do povo".

No comunicado de hoje, divulgado pela agência da Casa Imperial, a imperatriz também passa em revista os eventos mais importantes ocorridos este ano, referindo os fortes terramotos, no sudoeste do país em abril. Michiko transmite o seu apoio aos afetados e destaca a necessidade de a população se preparar para a possibilidade de ocorrerem mais desastres naturais.

Tópicos
PUB