Imprensa chinesa com `impeachment` de Dilma na primeira página

A imprensa chinesa destaca hoje o processo de `impeachment` (destituição) da Presidente brasileira Dilma Roussef, aprovado na quinta-feira pelo Senado, com alguns jornais de referência a dedicar-lhe toda a primeira página.

Lusa /

O principal jornal oficial chinês de língua inglesa, o China Daily, publica hoje uma foto-legenda que exibe em primeiro plano os confrontos entre a polícia militar e manifestantes contrários ao `impeachment`, concentrados em frente ao Senado brasileiro.

O processo representa "o fim de 13 anos de um Governo de esquerda no maior país da América Latina", descreve o diário.

Também a versão em chinês do Global Times, jornal do Partido Comunista Chinês, dá eco ao tema, com um artigo que preenche toda a primeira página e quase metade da última.

O diário cita as palavras de Dilma na quinta-feira, quando garantiu não ter cometido qualquer crime e comparou a sua destituição a um golpe de Estado.

Refere ainda que, "em teoria, Dilma pode voltar ao poder", mas "muito dificilmente isso acontecerá" e enfatiza a "profunda divisão" no seio da política e sociedade brasileira e o agudizar da crise económica.

Já o Reference News, do grupo da agência oficial Xinhua, afirma na edição de hoje que após o anúncio do resultado da votação no Senado - 55 votos a favor e 22 contra - "em algumas partes do Brasil foi lançado fogo-de-artifício", enquanto os apoiantes de Dilma se envolveram em confrontos com a polícia.

O Senado brasileiro aprovou na quinta-feira a instauração do processo de `impeachment` (destituição) da Presidente Dilma Rousseff, com 55 votos a favor e 22 contra, afastando-a do cargo durante 180 dias, para ser julgada.

A China tornou-se, em 2009, no principal parceiro económico do Brasil, ultrapassando os Estados Unidos da América, e no seu maior investidor externo.

No ano passado, o volume das trocas comerciais bilaterais cifrou-se em 71,80 mil milhões de dólares (66,07 mil milhões de euros), menos 17,37% face a 2014.

Os dois países integram também o grupo BRICS, que é ainda composto por Rússia, Índia e África do Sul, enquanto o Brasil é o nono maior acionista do Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas, a primeira instituição financeira internacional proposta por Pequim.

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