Imprensa espanhola publica desenhos polémicos
A imprensa espanhola juntou-se hoje à polémica em torno da publicação de caricaturas do profeta Maomé, com um dos jornais mais vendidos, o El Pais, a reproduzir na primeira página um desenho inicialmente publicado no Le Monde.
A caricatura representa a cara de Maomé "construída" com a frase em francês "Não devo desenhar Maomé".
O jornal consagra duas páginas à polémica gerada pela publicação inicial dos "cartoons" na imprensa dinamarquesa e posteriormente na de outros países europeus.
O El Mundo é mais subtil na sua caricatura, publicando na página dois apenas um lápis gigante em que a ponta se assemelha a uma burqa, a cobertura tradicionalmente usada por mulheres muçulmanas em alguns países.
Em editorial o jornal alude à polémica que continua "a arrastar-se como pólvora dentro e fora do mundo islâmico", criticando a forma "estranha" como vários países muçulmanos reagiram "a um sistema democrático em que os meios de comunicação são livres e não falam em nome dos seus governantes".
Mais graves, porém, são para o editorialista do El Mundo as reacções em alguns países europeus, nomeadamente a demissão do director do France Soir pelo proprietário egípcio da publicação, depois de o primeiro ter decidido publicar as caricaturas.
Ainda que essas reacções pretendam "apaziguar os ofendidos", El Mundo considera ter ficado demonstrado que, "sob a ameaça de violência", a comunidade ocidental está preparada para respeitar as regras muçulmanas, violando as das democracias, como a liberdade de expressão.
"Uma reacção de protesto, por ser violenta, não deveria gerar uma desculpa, mas sim a defesa firme da liberdade de expressão, um dos pilares de qualquer sistema democrático", escreve.
"Essa liberdade - conclui - tem limites mas são os estabelecidos pelas leis que podem até ampliar-se se necessário. Mas seria um grande erro assumir como próprias as normas de outros, entre elas a proibição de representar graficamente a Maomé, só para evitar ofender os intolerantes".
No caderno internacional, o assunto merece destaque de duas páginas, com o subtítulo "Choque de civilizações".