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Imran Khan. Ex-primeiro-ministro paquistanês condenado a 14 anos de prisão por corrupção
O ex-primeiro-ministro do Paquistão Imran Khan e a mulher, Bushra Bibi, foram esta quarta-feira condenados a 14 anos de prisão por acusações de corrupção. Na véspera, o antigo governante já tinha sido condenado a dez anos de cadeia por divulgar segredos de Estado.
Imran Khan, ex-primeiro-ministro do Paquistão, soma acusações e sentenças por casos de corrupção. A mais recente foi proferida esta quarta-feira. A condenação é de 14 anos e estende-se também à mulher, Bushra Bibi, com a mesma pena.
Na terça-feira, um dia antes desta sentença, Khan recebia uma outra pena atribuída ao caso de divulgação de segredos de Estado. Em causa está um telegrama diplomático sensível que estava em sua posse e que alegadamente desapareceu. Foi sentenciado com dez anos de prisão.
Venda ilegal de prendas
Sobre a compra e venda de presentes do Estado, em agosto passado, o antigo primeiro-ministro já tinha sido condenado a três anos de prisão, mas a pena foi anulada por um tribunal superior.
A agência anti-corrupção alegou que Khan e a esposa receberam 108 presentes de chefes de Estado e funcionários estrangeiros, alguns num valor equivalente a 500 mil euros, durante o seu mandato como primeiro-ministro, entre 2018 e abril de 2022. Muitas das prendas ficaram na posse ou vendidas ilegalmente pelo casal.A dupla também compraria presentes dados por governantes e funcionários do Governo a preços baixos e depois vendia-os com lucro não declarado. Khan negou todas as irregularidades.
Novas provas trazidas pela investigação da autoridade anti-corrupção, relacionadas com as joias dadas pelo príncipe herdeiro saudita e alegadamente mantidas pelo casal, reabriu o processo judicial.
Para além dos 14 anos de prisão, o casal tem de pagar uma multa de 8,77 milhões de euros.
Está ainda proíbido de concorrer a cargos públicos durante dez anos.
A audiência foi realizada na prisão de Rawalpindi, onde Khan está detido. Os advogados de Khan não estiveram presentes no julgamento, depois de o juiz ter negado interrogar testemunhas favoráveis ao antigo primeiro-ministro.
Já a mulher entregou-se às autoridades na prisão de Adiala, em Rawalpindi, na manhã desta quarta-feira.
Partido sem rosto
Khan foi deposto do poder em 2022, mas continua popular entre os eleitores.
O ex-governante tem afirmado que os casos consecutivos contra si têm motivação política, acusando mesmo a liderança militar de lhe guardar “rancor” e de orquestrar a sua prisão, para que não pudesse concorrer às eleições.
Khan enfrenta mais de uma centena de acusações diferentes.
Um elemento do partido de Khan, Syed Zulfiqar Bukhari, declarou à Al Jazeera que a sentença marca “mais um dia triste na história judicial do Paquistão” e questionou a sua legitimidade.
A 8 de fevereiro próximo, o Paquistão é chamado às urnas para eleições gerais, há muito adiadas, destinadas a escolher os novos membros da Assembleia Nacional.