Incêndio no aeroporto de Nairobi bloqueia centenas de passageiros

As chamas deflagraram de madrugada na zona de chegadas internacionais do aeroporto Jomo Kenyatta (JKIA) na capital do Quénia, por razões ainda desconhecidas. O violento incêndio destruiu diversas estruturas do aeroporto, que colapsaram e o JKIA, um dos aeroportos mais importantes de África, foi encerrado até ao início da tarde, altura em que deverão ser reiniciados os voos domésticos e o transporte de carga.

Graça Andrade Ramos, RTP /
Parte do aeroporto internacional de Nairobi, no Quénia, foi destruída por um incêndio esta manhã Cruz Vermelha do Quénia/EPA

Diversos voos previstos para Nairobi foram cancelados ou desviados para outras cidades, nomeadamente Mombaça, na costa queniana do Oceano Índico.

Apesar da reabertura parcial, centenas de pessoas deverão permanecer bloqueadas na capital do Quénia durante as próximas horas.

Além de assegurar dezenas de voos domésticos, o JKIA serve várias capitais africanas, assim como destinos na Europa, Ásia e Médio-Oriente. O mês de agosto é tradicionalmente dos mais movimentados devido ao turismo dos parques naturais quenianos.

"Estamos a transferir os passageiros para os hotéis mas não está a ser fácil pois a maioria está cheia, já que a época alta acabou de começar", explicou uma hospedeira da Kenya Airways.

O aeroporto internacional de Nairobi é dos mais movimentados de África

Oficialmente não há notícia de vítimas, embora a companhia aérea Kenya Airways indique que um empregado da empresa e um passageiro foram hospitalizados por inalação de fumo, sem gravidade.
Baldes no combate às chamas
"O aeroporto está num completo caos" disse Sylvia Amondi que tinha ido esperar um passageiro. "Não nos disseram a causa do incêndio mas está tudo cheio de fuligem." O teto da zona de chegadas internacionais caiu e "os restaurantes e as lojas ficaram todos destruídos."

"O corpo de bombeiros do aeroporto interveio rapidamente mas não tem homens suficientes. O exército e a polícia ajudaram a extinguir manualmente o fogo, com baldes," acrescentou Amondi.

O governo teve mesmo de encerrar a principal estrada que leva ao aeroporto para garantir a livre passagem dos veículos de bombeiros e da água que chegou a escassear. O eixo liga Nairobi ao porto de Mombaça e o trânsito está habitualmente engarrafado.
Incêndio investigado
O Presidente Uhuru Kenyatta, filho do primeiro Presidente do Quénia que batizou o aeroporto de Nairobi, foi ao local para avaliar os estragos.

De acordo com um responsável do ministério do Interior, os setores da chegada e da imigração do aeroporto foram totalmente destruídos. "É uma crise grave" considerou um alto responsável dos transportes quenianos.

O incêndio deflagrou precisamente 15 anos depois do duplo atentado contra as embaixadas americanas do Quénia e da Tanzânia, reivindicados pela Al-Qaida e que fizeram 224 mortos.

A origem do fogo está a ser investigada mas nada indica até agora que se tenha tratado de um atentado.
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